Livros lidos em Março/2018

No mês passado eu completei 7 leituras muito bacanas e vou contar um pouco do que achei sobre cada uma aqui:

  • A lista dos meus desejos (Gregoire Delacourt): Esse livro conta a história de Jo e a lista dos seus desejos caso ganhasse na loteria. Parece maravilhoso e um chick-lit de morrer de rir, não é? Mas não se engane: esse livro é um drama que, embora curtinho, tem o poder de deixar o leitor muito pensativo. Se você ganhasse um prêmio milionário, o que estaria na sua lista de desejos?
  • Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida (Xinran): Lido para o piquenique literário de março, esse livro foi escolhido por votação dentro do tema “Mulheres protagonistas”. Com uma escrita delicada e muito respeitosa, Xinran traduz para os leitores que não são chineses todo o drama de ser mulher e ter filhas mulheres na China;
  • Todo dia (David Levithan): Adaptado para os cinemas esse ano, esse YA conta a história de A, alguém que acorda todo dia no corpo de uma pessoa diferente e tem que aprender a conviver com isso. Confesso que achei o livro bem bobinho. Agora é esperar para ver se a adaptação vai me parecer mais madura;
  • Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban (J. K. Rowling): Terceiro livro da série Harry Potter que estou relendo esse ano. Gosto muito do primeiro livro e do segundo nem tanto, então posso dizer, com certeza, que foi esse terceiro que me arrebatou e me tornou uma potterhead de carteirinha. Acredito que foi o livro que mais li na vida (essa foi minha 5ª releitura);
  • A droga da obediência (Pedro Bandeira): Esse será o livro do piquenique literário de abril e, coincidentemente, a Laís pegou emprestado na sala de leitura da escola e eu aproveitei e já fiz minha releitura (2018 está sendo um ano de muitas releituras para mim). Confesso que depois que me decepcionei um pouco com A marca de uma lágrima, não esperava muita coisa desse livro aqui, mas Pedro Bandeira me reconquistou com Os Karas e eu adorei reler essa história, sem contar que me bateu uma vontade enorme de continuar a ler os outros livros da série. (Aliás, a Laís também adorou!);
  • O caminho jedi (Daniel Wallace): Esse manual jedi ensina algumas coisas do universo Star Wars e traz várias anotações ao longo das páginas dos antigos donos do manual (muito parecido com o que acontece em Animais Fantásticos e onde habitam, em Harry Potter). A leitura foi muito maçante, embora algumas anotações e informações sejam bem divertidas. O bacana foi que esse livro foi a minha primeira troca no skoob e eu adorei!
  • Eu sou Malala (Malala Yousafzai e Christina Lamb): Também foi uma leitura cansativa para mim, levei 3 meses para concluir essa leitura (comecei a ler o livro em janeiro). Independente da história incrível da Malala, o modo da escrita é que tornou o livro demorado, porque ainda tenho um pouco de dificuldade em mergulhar na história quando o livro é de não-ficção e esse livro foi escrito de forma não linear cronologicamente, o que fez com que eu tivesse que voltar algumas partes e redesenhar a linha do tempo na minha cabeça.

Enfim, essas foram as leituras que concluí no mês de março. Além dessas, li mais 10 contos do livro 50 contos de Machado de Assis (projeto de leitura que pretendo terminar em junho) e o primeiro livro que compõe o 3º volume do box das Obras completas de Sherlock Holmes. E vocês o que leram no mês passado? Contem para mim aqui nos comentários:

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[RESENHA] O beijo traiçoeiro

O beijo traiçoeiro é um livro de Erin Beaty, lançado pela Editora Seguinte, em 2017.

Com sua língua afiada e seu temperamento rebelde, Sage Fowler está longe de ser considerada uma dama – e não dá a mínima para isso. Depois de ser julgada inapta para o casamento, Sage acaba se tornando aprendiz de casamenteira e logo recebe uma tarefa importante: acompanhar a comitiva de jovens damas da nobreza a caminho do Concordium, um evento na capital do reino, onde uniões entre grandes famílias são firmadas. Para formar bons pares, Sage anota em um livro tudo o que consegue descobrir sobre as garotas e seus pretendentes – inclusive os oficiais de alta patente encarregados de proteger o grupo durante essa jornada. Conforme a escolta militar percebe uma conspiração se formando, Sage é recrutada por um belo soldado para conseguir informações. Quanto mais descobre em sua espionagem, mais ela se envolve numa teia de disfarces, intrigas e identidades secretas. E, com o destino do reino em jogo, a última coisa que esperava era viver um romance de tirar o fôlego.

Esse livro é descrito como Jane Austen com espionagem. Confesso que essa definição é um pouco prepotente, mas isso não significa que o livro não seja bom. Pelo contrário, ele é ótimo! Mas ainda sim, não chega aos pés dos clássicos de Austen, como orgulho e Preconceito. No início a história pode lembrar um pouco os romances de época, mas depois ela ganha os tons de romance policial que eu tanto aprecio. É narrada em 3ª pessoa, ou seja, por um narrador observador, e isso é um dos grandes truques da autora para facilitar as reviravoltas da trama. A linguagem é simples e flui muito bem, sem termos arcaicos ou complicados.

O livro é considerado uma fantasia, uma vez que é ambientado num mundo imaginário, porém, a trama assemelha-se tanto a um romance de época, quanto a uma distopia. Os personagens são muito carismáticos e um deles passa por um plot twist dos mais surpreendentes que já li, daqueles que te dá vontade de reler várias páginas só para tentar identificar como você não tinha percebido aquilo antes! O herói da história é muito cativante e nos faz torcer por ele.

Porém, nem tudo são flores. Alguns aspectos da história não me agradaram muito, como o fato de que todas as grandes ideias para solucionar problemas surgem de uma única personagem (como se só ela fosse inteligente o suficiente para bolar planos), ou o fato de que embora haja diversas personagens femininas na história (as noivas do Concordium), elas não conversam entre si (com rara exceção) e passam a trama toda com picuinhas e competição desnecessária umas com as outras. Sério, meninas, um pouco de sororidade cai bem, viu?!

Erin Beaty é uma engenheira aeroespacial norte-americana e serviu a Marinha como oficial de armas e instrutora de liderança. Sua formação acadêmica contribuiu para a criação do enredo e das características de vários personagens. Recomendo esse livro para fãs de distopias, para fãs de romance de época e para fãs de histórias policiais. E não se engane pelas aparências floridas: esse livro pode machucar seu coração!

6 meninas da literatura que mostram desde cedo para quê vieram

Como vocês sabem, Março é o mês das mulheres e por isso eu preparei uma lista com 6 mulheres-meninas que protagonizaram algum livro que li nos últimos anos e que, mesmo ainda muito jovens, já mostram há que vieram!

Sofia (de O mundo de Sofia): Essa garotinha perspicaz apresenta ao leitor uma viagem pelo mundo da filosofia. Mesmo sendo muito nova, ela consegue não só compreender conceitos abstratos e complexos sobre as grandes questões da humanidade, como também os transmite de modo claro e lúdico ao leitor. Esse livro, embora seja um calhamaço, pode e deve ser lido por crianças de todas as idades;

Mônica (da Turma da Mônica): em 2017, li 3 Graphic Novels da Mônica e revivi doces momentos da infância ao lado da turminha. Mônica tem 7 anos e é uma líder nata. Forte e corajosa, ela não mede esforços para ajudar seus amigos, mesmo que isso a coloque em apuros;

Ada Smith (de A guerra que salvou a minha vida): Ela tem 10 anos (ou acha que tem) e nasceu com uma deficiência no pé que a impede de frequentar a escola e até mesmo de sair de casa. Tudo que ela conhece é visto da janela da sala. Até que um dia a guerra começa e ela e o irmão mais novo são enviados para o interior do país para ficar em outra casa. Por causa da guerra, Ada vai descobrir o significado das palavras amor e confiança;

Hazel Grace (de A culpa é das estrelas): lutando desde cedo contra um câncer, Hazel nos ensina sobre a brevidade do infinito e nos dá a oportunidade de viver com ela momentos muito únicos na vida de uma adolescente com câncer;

Cadence (de Mentirosos): ela tem saudade dos amigos, a família dela tem uma ilha e ela tem amnésia. Cadence passa por um trauma que muda sua vida e ela vai precisar de toda ajuda possível para descobrir o que aconteceu. Com determinação, essa protagonista nos leva a reviver com ela os dias de glória e de luta que passou com seu grupo de amigos, os mentirosos;

Frankie Landau-Banks (de O histórico infame de Frankie Landau-Banks): Com 16 anos, embora ainda não tenha se dado conta, essa adolescente é uma feminista nata. Inconformada com um grupo secreto que ela descobre em sua escola, do qual apenas garotos podem participar, Frankie lutará para tornar as coisas um pouco mais equilibradas no colégio.

Agora me contem vocês: conhecem alguma menina que desde cedo mostra que vai abalar as estruturas do mundo literário? Conta para mim aqui nos comentários!

[RESENHA] O cão dos Baskerville

Estou muito feliz por estar resenhando pela primeira vez um livro de um dos meus autores e um de meus personagens favoritos: O cão dos Baskerville, uma aventura de Sherlock Holmes, escrita por Sir Arthur Conan Doyle.

A morte do rico proprietário Charles Baskerville é um mistério que envolve uma antiga maldição em família, uma grande herança e um enorme cão fantasmagórico. Holmes e seu parceiro Watson são chamados para investigar.

Como sempre, as histórias de Sherlock Holmes são super envolventes e instigantes, mas este livro tem um elemento diferencial que faz com que o enredo fique ainda mais interessante: um mistério sobrenatural, já que toda população do vilarejo no qual aconteceu o crime afirma que quem matou a vítima foi um cão fantasmagórico que vive nos bosques do lugar. Investigando o mistério que parece desafiar a lógica e a razão, o Sherlock enfrenta adversários que vão além do que se pode imaginar.

Narrada, como tradicionalmente as demais histórias também são, do ponto de vista do Dr. Watson, essa trama se difere um pouco das demais, pois Sherlock Holmes deixa seu amigo investigando sozinho no vilarejo, enquanto ele resolve alguns assuntos em Londres. Watson se mostra perspicaz e audacioso ao tomar iniciativa para investigar ele mesmo um mistério paralelo que surge na região. O texto de Conan Doyle flui muito bem, embora tenha sido escrito há mais de 100 anos, pois a linguagem é acessível a todos os públicos (Tanto que a professora de português da minha filha está trabalhando um conto de Sherlock com os alunos da turma dela do 7º ano – leitores de aproximadamente 12 anos de idade).

Sherlock tem uma personalidade muito divertida, embora eu não aprecie muito quando ele faz pouco caso do Watson. Mas entendo que isso faz parte da personalidade dele e, se o próprio Watson não se incomoda, quem sou eu para criticar, não é mesmo? O médico é o fiel escudeiro do detetive e admirador de seus métodos. Porém os demais personagens da trama cumprem apenas o seu papel, passando pelo livro sem grandes destaques, assim como os personagens de outras histórias de Holmes que estão ali apenas para servir de escada para a demonstração do brilhantismo dedutivo do personagem principal.

Eu li essa história na edição das obras completas de Sherlock Holmes que faz parte do volume 2 desse box lindo que já mostrei para vocês AQUI. Continuo encantada com esse trabalho da Editora Harper Collins, pois os livros são muito bem diagramados, com design da capa criativo e coerente com o texto. As páginas são muito leves e amareladas, a folha de guarda preta dá um charme a mais à edição e a capa dura ajuda a preservar melhor o livro, além de combinar com a luva que abriga o box.

Vou acrescentar aqui que a adaptação desse livro na série Sherlock Holmes, da Netflix, está espetacular, uma vez que eles tiveram que adaptar para os tempos modernos toda a questão do sobrenatural e da fé das pessoas no cão fantasma. Vale a pena conferir!

Recomendo esse livro para todos que ainda não leram Sherlock Holmes, para os que são fãs de mistério e suspense e para aqueles que querem descobrir como um detetive prático e racional conseguirá enfrentar um cão fantasma!

[RESENHA] A Seleção

A Seleção é o primeiro livro de uma série, escrita por Kiera Cass, e publicada pela Editora Seguinte, em 2012

Nem todas as garotas querem ser princesas. America Singer, por exemplo, tem uma vida perfeitamente razoável, e se pudesse mudar alguma coisa nela desejaria ter um pouquinho mais de dinheiro e poder revelar seu namoro secreto. Um dia, America topa se inscrever na Seleção só para agradar a mãe, certa de que não será sorteada para participar da competição em que o príncipe escolherá sua futura esposa. Mas é claro que seu nome aparece na lista das Selecionadas, e depois disso sua vida nunca mais será a mesma…

Nos EUA do futuro, agora chamado de Illéa, a sociedade é dividida em 8 castas e cada uma corresponde a um nível profissional e econômico. America é uma Cinco, uma das castas mais baixas e cujos cidadãos são destinados a profissões ligadas às artes. Ao saber que a família real iniciará A Seleção (evento no qual o príncipe deve escolher uma esposa), América aceita se candidatar apenas para agradar sua mãe, certa de que não será escolhida. Até porque, o coração dela já tem dono: Aspen, um Seis que mora na mesma região que ela.

Quando inesperadamente ela se torna uma das 35 garotas sorteadas para participar da seleção, América tem uma decisão importante para tomar: participar do processo e tentar ser a futura esposa do príncipe, ou abrir mão de tudo e ficar em casa?

A obra pega carona no sucesso das distopias, mas foge do comum, ao dar um pouco mais de destaque ao romance (embora apresente o velho clichê do triângulo amoroso). Sempre narrado do ponto de vista da protagonista América, os capítulos são muito fáceis de ler e a leitura flui super bem. A linguagem é simples e coloquial, perfeitamente adequada ao público-alvo jovem.

América é uma mulher forte e teimosa, Maxxon é um verdadeiro príncipe encantado e Aspen é a personificação do bom moço. Porém uma das coisas que eu mais gostei dessa história foram os personagens secundários, na sua grande maioria as meninas da seleção, mulheres com personalidades únicas e cativantes. Me espantei, positivamente, com o quanto a autora conseguiu dar voz a várias das meninas, sem deixar o livro cansativo, nem perder o foco da narrativa.

A edição de capa dura desse livro é deslumbrante, um primor em cada detalhe, desde a foto de capa, até a pequena coroa que inicia cada capítulo, sem contar as lindas folhas de guarda. As páginas amareladas tornam a leitura menos cansativas e a fonte é bem confortável aos olhos.

Kiera Cass conquistou diversos fãs com essa série, que foi acrescida de mais 2 livros de contos e outros 2 que se passam alguns anos depois da história principal (tudo que posso contar sem dar SPOILLERS).

Recomendo esse livro para os fãs de distopia, para os fãs de romance e para os que acreditam que toda revolução começa dentro de cada pessoa.

[RESENHA] A marca de uma lágrima

A marca de uma lágrima é um livro de Pedro Bandeira, publicado pela Editora Moderna.
Com o amor no coração… e com a morte na alma!
Isabel se acha feia. Será mesmo? Ou somente ela acha isso? Escreve cartas e versos para ajudar o namoro de Rosana, sua melhor amiga, com Cristiano, seu grande amor. Por causa da beleza e da verdade de suas cartas, Cristiano mais se apaixona por Rosana e mais aumenta a desesperança de Isabel. Sua situação agrava-se ainda mais com a morte da diretora da escola, pois a jovem é testemunha de que aquele aparente suicídio seria na verdade um bárbaro assassinato, e sua vida está agora ameaçada. Acuada, desesperada, a ideia da morte começa a persegui-la enquanto seu coração se despedaça pelo amor por Cristiano…
Esse livro é uma releitura jovem da história de Cyrano de Bergerac e eu já havia lido no Ensino Fundamental há quase 20 anos. A história foi adaptada ao público jovem (acima de 14 anos) e retrata bem os momentos, angústias e aventuras desse momento da vida dos adolescentes.
A marca de uma lágrima é narrado em primeira pessoa por Isabel e isso faz com que o leitor conheça apenas a sua versão da história, o que torna a leitura mais instigante e empática. A linguagem é própria para o gênero infanto-juvenil e o livro é permeado de poemas muito fofos que a protagonista escreve.
Isabel é uma menina insegura e cativante, que pode ser um pouco chata, às vezes. Cristiano é um garoto bonito e alegre. Rosana é uma amiga desligada e um pouco folgada. Já Fernando, SEM SPOILERS, é inteligente, paciente e generoso. Entretanto, todos eles são adolescentes e não espere muitas nuances de personalidade neles.
O livro tem páginas amareladas, fonte grande e diagramação super confortável para a leitura. Todo início de capítulo tem uma ilustração e é possível lê-lo em um dia, tendo em vista que a linguagem é muito simples e a história é cativante.
Pedro Bandeira é um dos maiores autores nacionais de literatura infanto-juvenil, ganhador de diversos prêmios, entre eles um Jabuti, e já teve até livro adaptado para o cinema. Ele é autor da série Os Karas, um marco na vida literária de muitos novos leitores e seus livros, definitivamente, foram alguns dos maiores fatores para que eu me apaixonasse pelo mundo dos livros desde criança.
Recomendo esse livro para jovens com mais de 14 anos, para os fãs de literatura infanto-juvenil e para quem tem saudade da infância.

Livros lidos em fevereiro/18

Esse mês eu li muito! Tinha vários livros começados em janeiro, quando eu estava de férias, por isso, as conclusões de leitura de fevereiro foram tantas. Confere aqui minhas leituras:

Tartarugas até lá embaixo (John Green): Esse é o novo livro do autor de A culpa é das estrelas. Ele conta a história da Aza Holmes e sua amiga em busca de um milionário desaparecido, mas o grande destaque desse livro é o TOC. Green, que possui o transtorno assim como sua personagem, descreve majestosamente as espirais de pensamento que surgem na cabeça de Aza e nos faz acompanhar o dia a dia de uma pessoa cuja maior aventura não é achar milionários perdidos e sim entender sua própria mente e lutar para ser dona de seus pensamentos.

Maurício – a história que não está no gibi (Maurício de Souza): Esse livro eu li para cumprir o primeiro desafio do Culto Booktuber (Ler um livro emprestado). Esse livro é da minha filha Laís e ela comprou quando foi visitar o Parque da Mônica ano passado. Eu simplesmente devorei as páginas. É impossível não terminar a leitura ainda mais fã do Maurício, não só como ilustrador, mas também como profissisonal, empreendedor e pai dos filhos de carne e osso e de papel.

A elite (Kiera Cass): Segundo livro da série A Seleção que estou relendo esse ano. Tem sido uma experiência maravilhosa reencontrar esses personagens que tanto me encantaram em 2014/15 e voltar para Illéa.

Do amor e outros demônios (Gabriel Garcia Marquez): Esse foi o livro do mês escolhido pelo Piquenique Literário, na categoria literatura Íbero-Americana. Foi o primeiro livro do Garcia Marquez que li e gostei bastante. Não sei dizer se quero ler outro tão logo, mas com certeza é um autor que faz jus à fama (e ao Nobel). Esse livro é curtinho e tem dois dos personagens que mais gostei na vida: Abrenúncio e Dellaura. Se você tiver oportunidade de conhecê-los, recomendo muitíssimo.

O histórico infame de Frankie Landau-Banks (E. Lockhart): Arrastei a leitura desse livro desde o ano passado porque a história demorou para me ganhar. Da metade para o final, foi mais tranquilo e rapidinho. Esse é um livro de contradições: a protagonista é forte e superficial, a premissa é fraca, mas o desenvolvimento é bom, os diálogos são muito bacanas, mas cheios de fios soltos. Enfim, só lendo para saber…

A garota do calendário – Junho (Audrey Carlan): Esse livro é um romance hot de uma série de 12 livros. Já li os 4 primeiros em 2016, um ano passado e agora mais esse. Se continuar nesse ritmo, terminarei de ler em 2023… É uma história recomendada para curar ressaca literária, mas você tem que ter em mente que os personagens são rasos e estereotipados e a trama é simples e previsível.

A lista dos meus desejos (Gregoire Delacourt): Tem cara de um chit-lit gostosinho e divertido de ler, mas nos se engane: esse livro vai chegar ao seu coração e te fazer pensar… se você ganhasse hoje na loteria, qual seria a lista dos seus desejos?

E foi acompanhada dessas leituras que eu passei o último mês de fevereiro. E você o que leu? Conta para mim aqui nos comentários.

TAG “Quem sou eu em 5 livros”

Essa Tag é da Natasha, do canal Redemunhando. Eu gostei muito da ideia e decidi responder aqui também.

A Tag consiste em escolher 5 livros que você diria para alguém ler, se essa pessoa quisesse ter uma ideia de quem você é. Ou seja, é indicar para alguém 5 livros para que essa pessoa te conheça melhor, 5 livros que te definam de alguma maneira.

Os 5 livros que eu escolhi são obras que eu gosto muito, que significam muito para mim não só pelo enredo, mas também por características de cada um e o impacto que eles causaram em mim, no momento específico da minha vida em que os li. São eles:

  • Harry Potter: é uma série repleta de aventura, do gênero da fantasia , para mim, representa minha infância e adolescência. A fase em que comecei a ler e me encantei pelo mundo das letras. Harry Potter tem gosto de infância, como brigadeiro de festa. E meu livro favorito da série é O enigma do Príncipe;

 

  • 60 dias de neblina: esse livro (que resenhei no começo da semana AQUI) reúne crônicas, que é um estilo literário que gosto muito, que falam sobre a maternidade (que é basicamente tudo na minha vida fora os livros, rsrs). Além disso, esse livro também representa meu lado conectado, uma vez que foi escrito por uma digital influencer que eu acompanho nas redes sociais e cujo trabalho admiro muito;

 

  • Orgulho e preconceito: Este clássico de Jane Austen representa para mim o amor. É minha versão favorita do “Felizes para sempre” dos contos de fadas. Essa obra me lembra que o amor supera tudo, que é possível ser uma romântica sonhadora e nem por isso ser alienada e superficial;

 

  • Os homens que não amavam as mulheres: Esse livro reúne dois elementos que gosto muito: suspense/mistério e uma protagonista feminina bad ass. Esse dois fatores sustentam um bom livro, para mim;

 

  • Bilhões e bilhões: Um livro de não-ficção, escrito pelo astrônomo Carl Sagan, que traz dezenove artigos que versam sobre temas variados, desde aborto a problemas ambientais, passando por temas áridos, como o câncer, e controversos, como a possibilidade de vida em Marte. Os artigos desse livro simbolizam para mim meus questionamentos sobre a vida, o universo e tudo mais.

 

E você? Quais 5 livros você me recomenda para eu te conhecer melhor?

[RESENHA] 60 dias de neblina

60 dias de neblina é o primeiro livro da escritora Rafaela Carvalho e foi publicado de forma independente, em 2017, pela Editora Máquina de Escrever.

O livro reúne crônicas da vida familiar que ora narram o dia a dia doméstico, ora trazem reflexões sobre a maternidade e a vida. Meus textos favoritos são “O ladrão da felicidade”, “As mães que eu sou” e “Jamais entenderão”. Rafaela tem o dom das palavras e consegue tocar o coração do leitor (seja mãe ou não) de uma forma única e singela. Os textos possuem linguagem simples e direta. Alguns são mais emotivos e cativantes, outros possuem um tom cômico, porém todos têm em comum a transparência ao mostrar a maternidade (e o casamento) sem máscaras, de modo real e livre das fórmulas mágicas sobre como criar os filhos que só funcionam na televisão.

Sobre o livro em si, confesso que não gostei muito da capa. A ilustração é linda, óbvio, mas o título ficou sem destaque no desenho e acho que não traduz toda doçura e leveza que tem por trás das páginas. Achei muito simples talvez pelo fato de ter só duas cores, senti a combinação de azul e branco muito fria e esse livro é puro calor e amor. As páginas são de qualidade razoável e são cinzentas, lembrando um pouco páginas de jornal, embora com gramatura bem melhor.

Rafaela Carvalho tem 4 filhos e mora nos EUA com a família. Ela é a mãe por trás do @a.maternidade e já falei dela nesse post AQUI. Apaixonada pelos livros e pelas minhas filhas como sou, esse livro possui diversos trechos com os quais eu me identifico de ponta a ponta, não só pela simplicidade e beleza do dia a dia que ela consegue captar tão bem, mas também pela doçura e lealdade com as quais ela fala sobre a maternidade sem rótulos.

Se não sabe se esse livro vale a pena ou não, dê uma passadinha no instagram dela para conferir os textos que postados por lá. Mas eu já adianto: você vai amar!

[RESENHA] Sempre vivemos no castelo

      Sempre vivemos no castelo é um livro da Editora Suma de Letras, escrito por Shirley Jackson, que foi traduzida e publicada  pela primeira vez no Brasil com esta obra.
      Merricat Blackwood vive com a irmã Constance e o tio Julian. Há algum tempo existiam sete membros na família Blackwood, até que uma dose fatal de arsênico colocada no pote de açúcar matou quase todos. Acusada e posteriormente inocentada pelas mortes, Constance volta para a casa da família, onde Merricat a protege da hostilidade dos habitantes da cidade. Os três vivem isolados e felizes, até que o primo Charles resolve fazer uma visita que quebra o frágil equilíbrio encontrado pelas irmãs Blakcwood. Merricat é a única que pressente o iminente perigo desse distúrbio, e fará o que for necessário para proteger Constance. Sempre vivemos no castelo leva o leitor a um labirinto sombrio de medo e suspense, um livro perturbador e perverso, onde o isolamento e a neurose são trabalhados com maestria por Shirley Jackson.
      Classificada como uma ficção de horror, esse livro é leitura obrigatória nas escolas norte-americanas e me causou um certo medinho, sim. Ele é narrado em primeira pessoa por Merricat Blackwood, uma menina de 18 anos infantilizada devido à tragédia que envolveu a morte misteriosa de sua família.
      A trama é completamente original e se baseia na relação familiar dessas irmãs e do tio, reaprendendo a conviver. Embora seja um pouco introspectiva, também há muita ação e a história é muito bem amarrada e consistente. Sem contar no final que é surpreendente!
      A narrativa é muito fluída e é possível ler páginas seguidas sem se cansar. Merricat é uma menina muito divertida e é delicioso ver o mundo de dentro da cabeça dela, pela visão dela. Os capítulos terminam sempre com um cliff hanger, o que faz com que o leitor devore as páginas em busca da resposta para solucionar o mistério da morte de quase todos os Blackwood. A linguagem é simples, mas não sem qualidade, é adequada a públicos de todas as idades, mas imagino que crianças (menos de 12) anos podem se impressionar um pouco com o enredo.
      O grande trunfo dessa narrativa em primeira pessoa é a mente criativa e inventiva da narradora, qua adora jogos mentais e deixa o leitor constantemente em dúvida se os fatos estão realmente acontecendo como narrados, ou se a garota está apenas brincando de faz de contas.
      Constance é muito madura para a sua idade, um pouco, provavelmente, devido às circunstâncias familiares e um tanto em decorrência dela ser a responsável por sua irmã caçula e seu tio que necessita de cuidados especiais. O primo Charles é quem desequilibra a rotina familiar deles com sua visão de mundo completamente destoante do que reina no castelo das Blackwood.
      Ganhei esse livro de presente de amigo-secreto no #piqueniqueliteráriosjc da minha amiga Miriele e posso dizer que amei! Ele estava na minha lista de desejados, não só pela premissa de mistério, que eu adoro, mas também porque a capa é linda, hardcover, as páginas são amareladas e o projeto gráfico tem os melhores começos de capítulo que já li. Amor em cada página amarelada ❤
      Com altas doses de humor negro, Sempre vivemos no castelo foi o último livro publicado em vida por Shirley Jackson, autora essa, aliás, que é admirada  por escritores famosos como Stephen King e Neil Gaiman.
      Meu nome é Mary Katherine Blackwood. Tenho dezoito anos e moro com a minha irmã Constance. Volta e meia penso que se tivesse sorte teria nascido lobisomem, porque os dois dedos médios das minhas mãos são do mesmo tamanho, mas tenho medo de me contentar com o que tenho. Não gosto de tomar banho, nem de cachorros nem de barulho. Gosto da minha irmã Constance, e de Richard Plantagenet, e de Amanita phalloides, o cogumelo chapéu-da-morte. Todo o resto da minha família morreu.

Recomendo essa leitura para os fãs de King e Gaiman, para os fãs de terror e mistério, para os que gostam de lindas capas e os que apreciam uma boa trama.