Aniversário

Nesse final de semana é o aniversário da Laís. Eu adoro aniversários e por isso achei que poderíamos estender a nossa comemoração de sexta a domingo.

Sexta-feira foi o dia do bolo. Nos reunimos na casa dos meus pais para cantar parabéns. As meninas enfeitaram e rechearam o bolo com brigadeiro e beijinho, enquanto na sala eu e meu marido brincávamos com a Helena.

Foi enquanto comíamos na mesa que minha mãe comentou “Tá todo mundo aqui hoje”. E então eu notei: Realmente estavam todos lá. Todas as pessoas que eu mais amo no mundo inteiro reunidas na mesma sala.

Meu pai, patriarca da família, nitidamente satisfeito com aquele bando de mulher tagarelando na cabeça dele. Ele que é minha primeira paixão, meu ídolo e meu exemplo de vida, sentado ali, bem na minha frente.

Minha mãe estava na ponta da mesa. Sempre coruja com as netas e sagaz para qualquer indício de problema com as crias. Ela que sempre cede para a família seu tempo, seu carinho e seu espaço.

Do meu lado direito, Laís. A quase aniversariante. A menina que cedeu brigadeiro em metade do bolo só porque a irmã não gosta de coco. A primogênita que fica encantada com luzes de decoração. A garota doce que não se dá conta que a infância tem fugido dela a cada ano e seus traços de criança vão dando lugar aos de uma moça linda e encantadora.

Na outra ponta da mesa estava a Clara. A comilona. Minha baixinha que ainda não sabe controlar seus impulsos e que todo dia me desafia a ser uma mãe melhor e a tirar o melhor dela. Ela que sempre entende e quase sempre obedece. Ela que tem se rendido ainda mais rápido do que a irmã aos encantos da adolescência.

No sofá estavam minha irmã, com o marido e a filha. Minha irmã caçula que foi minha primeira boneca e agora reacendeu a leveza da família com a Helena. Ela e o marido que formam um casal que merece tudo de melhor nesse mundo. Aqueles 3 juntos que mesmo com pouco tempo de convivência demonstram a maior sintonia e conexão que já vi. Eles estão sempre na mesma página, no mesmo livro, na mesma estante.

Do meu lado esquerdo, aquele em que fica o coração, literalmente, estava meu marido. Com o hálito doce de bolo de chocolate, completamente entrosado com meu sangue, com minha turma. Minha família e eu estamos unidos por laços biológicos, mas meu marido… ah, meu marido… ele quis a mim. Ele é o único dali que teve o poder da escolha. E escolheu a mim. E eu a ele. E eu o amo por isso.

E junto comigo, no meu ventre, minha pequena Júlia. Meu serzinho mais desejado. A pessoinha que ainda não nasceu, mas está aqui comigo o tempo todo me lembrando o quão abençoada eu sou, o quão maravilhosa é a minha vida e o quanto Deus me ama.

Obrigada, pai, por seu meu guia.

Obrigada, mãe, porque eu sei que doeu e dói.

Obrigada, Lalá, porque foi seu aniversário que me proporcionou essa reflexão.

Obrigada, Clara, por (sempre) me alegrar.

Obrigada, Dê, por ter encontrado seu grande amor e ter trazido a Helena pra gente.

Obrigada, Cisco, por ter aceitado fazer parte da minha vida.

Obrigada, Júlia, por ter me escolhido para ser sua mãe.

E obrigada, Deus, porque eu sei que tudo isso era Você lá ontem a noite…

Carta de aniversário para minha primeira filha

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Laís na grandeza de seus 10 anos. Agora 11.

Laís, Laís, Laís. Laís quem abriu meu coração. Laís que me ensinou sobre este amor ilimitado e incondicional. Laís quem mudou tudo.

Lembro-me do dia em que você sorriu pela primeira vez. Foi como se o céu e a Terra tivessem se tocado por um instante. Eu nunca me senti tão segura e com tanto medo ao mesmo tempo.  Eu não tinha ideia do que estava sentindo. Eu não tinha ideia do que estava fazendo. Eu não estava pronta para ter um bebê. Eu não estava pronta para você. E você me transformou.

Você foi a primeira pessoa capaz de me fazer esquecer de mim mesma. Você foi o primeiro ser que me fez perder o sono por uma febre alta. Você foi a primeira que me fez sentir o medo de errar. A primeira que me fez chorar de culpa. E que culpa! Você foi a primeira prova viva de que Deus existe. E de que Ele é bom. Infinitamente bom.

Laís. Laís. Laís e este seu jeito doce, amável e carinhoso (quando quer). Você que já nasceu “criada”. Que nunca deu trabalho. Parece que já veio preparada para ensinar esta mãe inexperiente e imatura que lhe esperava.

Eu choro. Eu choro. Eu choro. Eu perco o dia daquele trabalho de escola com o qual você me pediu ajuda. Eu te obrigo a fazer natação. Eu quase morro de alegria ao saber que você gosta de fazer natação. Eu te obrigo a comer salada e depois te compro chocolate. Eu te peço favores que não deveria: “Você é a mais velha e tem que dar o exemplo.” Eu cobro coisas que não precisaria: “Eu já não pedi para você não ser grossa com a sua irmã?”

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Com a irmã Clara

Eu perco a paciência. Eu falo coisas e me arrependo depois. Eu digo que estamos atrasadas. Eu te apresso.  Eu sempre te apresso. Eu choro um pouco mais. Eu fiz com que você tivesse que dividir minha atenção com mais duas irmãs. Eu te dei tão pouco tempo como filha única. Eu choro um pouco mais.

E você me ama mesmo assim.

Laís. Laís. Laís. Você foi minha primeira recém-nascida, meu primeiro bebê, minha primeira criança, meu primeiro amor sem fim. Apesar de eu ter lhe “dado” a vida, foi você quem salvou a minha. Nos dias mais difíceis, foi por você que sobrevivi. Você salvou minha vida tantas, e tantas, e tantas vezes.

Laís. Laís. Laís. Laís e esta calma enorme, que nem se quer imagina as lições que me ensina. Atitudes e comentários que me fazem perder o rumo.

Você já está crescida, e às vezes me pergunto se eu já não deveria estar tirando de letra esta tal de maternidade. Mas não, ainda continuo tentando.  E você continua acreditando e confiando em mim. Da mesma forma que fazia quando era um bebê e eu mal sabia como cuidar de você.

Laís. Laís. Laís. Laís que está em todos os meus pensamentos, sonhos, orações, e em cada pedido que faço para estrelas cadentes. Laís sempre será a minha primeira. Meu primeiro amor. Meu primeiro serzinho. Meu primeiro encontro com a felicidade.

Eu te amo, minha filha, com todo o meu coração. Com cada pedaçinho do meu corpo, e com cada centímetro da minha alma. E se um dia você, ou uma de suas irmãs me perguntarem se há amor o suficiente para as três, saiba que sim, que há amor de sobra para cada uma de vocês, graças a esta absurda expansão que você, minha primeira, foi capaz de fazer no meu coração.

Feliz aniversário.

Quando

 

Quando estiver com frio, te esquento
Quando estiver cansado, te sustento
Quando faltar motivos pra sorrir, eu invento
Quando tiver que brigar, eu aguento
Quando estiver com fome, te alimento
Quando a coragem for pouca, eu aumento
Quando estiver doente, eu lamento
Quando quiser ficar só, eu entendo
Quando quiser ficar juntinhos, eu surpreendo
Quando cansar de ter paz, eu te atormento
Quando for comemorar, te cumprimento!

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