A Vanessa precisa

Na terça-feira passada meu marido foi trabalhar e eu estava de folga em casa com as meninas. Na noite anterior eu havia saído para buscá-lo no trabalho (com a minha chave) e, quando voltamos, ele abriu e trancou a casa (com a chave dele). Me arrumei para sair de manhã. Acordei as meninas, elas se arrumaram também e tomamos café. Manhã linda até a hora de sair de casa…

Eu esqueci a minha chave! Dentro do carro, na noite anterior. Estávamos trancadas dentro do apartamento, eu tinha um compromisso para dali meia hora, crianças alimentadas e ansiosas (passariam o dia com a prima) e eu desesperada. O que fazer? O que fazer?

Tive a ideia brilhante: 1. Ligar para o marido e descobrir o telefone da portaria do condomínio; 2. Ligar para a portaria e pedir para alguém vir até a janela da sala; 3. Dar a chave do carro pra pessoa e pedir para ela pegar a chave do apartamento dentro do carro (graças a Deus morar em condomínio!); 4. Nos destrancar e viver feliz para sempre.

Passos 1 e 2 foram cumpridos com maestria. Mas o passo 3 demorou, demorou, demorou. O zelador (único funcionário volante no momento) estava dando manutenção na caixa d’água e demorou a descer para nos ajudar. Só depois de quase 1 hora, conseguimos sair de casa. Resultado: perdi o horário do compromisso e aprendi umas lições.

Coisas que a Vanessa precisa:

1-      Prestar mais atenção: está certo que ser um pouco distraída sempre fez parte do meu charme pessoal, mas os hormônios da gravidez têm potencializado minha desatenção ao extremo. Eu praticamente nos tranquei dentro de casa;

2-      Ser mais paciente: e, principalmente, demonstrar paciência. Crianças só aprendem com o exemplo, e a Clara ficou extremamente inquieta enquanto esperávamos o zelador;

3-      Valorizar mais a minha própria criatividade: fico sempre repetindo que criatividade não é o meu forte, mas quando consegui elaborar um plano do que poderia fazer para me livrar do confinamento, me senti a própria Sherlock. Sério! Foi como se uma lampadinha se acendesse sobre minha cabeça. Nunca valeu tanto a pena os livros policiais que li;

4-      Ser mais organizada: não só por mim, mas pelas meninas também que precisam de uma mãe centrada para ser exemplo;

5-      Dar mais risada: com certeza fui o motivo de riso dos funcionários do condomínio pelo resto do dia. A doida que se trancou dentro de sua própria casa. Eu riria… Muito;

6-      Olhar a janela: houve um momento em que a Clara colocou a Pimenta na janela (ela adora) para olhar lá fora. Aquele rabinho abanando de felicidade, e os gemidos de tristeza quando desceu me fizeram pensar nas pequenas felicidades da vida que não costumamos dar valor no dia a dia. Animais e crianças têm o dom de nos ajudar a lembrar desses momentos. A vista da minha janela é linda e eu quase nunca a aprecio;

7-      Largar o celular. Foram cerca de 50 minutos de espera. Quase 1 hora durante a qual eu não larguei o telefone. Tempo que eu não gastei com outras coisas (tv, livro, computador) porque não sabia quanto iria durar, mas que eu passei colada no celular. Com a Clarinha ali, bem na minha frente implorando por algo que a distraísse da própria impaciência. Com a Laís, no auge do seu desprendimento, colada na tv, assistindo desenho no quarto enquanto esperava;

8-      Anotar o telefone da portaria: imagina a grávida de 7 meses ligando para o marido em pleno expediente para perguntar o número da portaria? O coitado deve ter quase infartado pensando que o bebê estava nascendo;

9-      Fazer uma cópia da chave: sério! Mesmo que eu cumpra todos os itens anteriores (o que eu sei que vai demandar um certo esforço), preciso fazer uma cópia da chave. Só por garantia;

10-   Aprender a lidar com os imprevistos: desmarquei de última hora a massagem que havia agendado e corri o risco de ter que desmarcar uma consulta de pré-Natal, caso não saísse de casa a tempo. E sabe o que aprendi? Que imprevistos acontecem e que devemos estar preparados para lidar com eles. Simples assim!