[RESENHA] Castelo de vidro

Escrito por Jeannette Walls, em 2007, Castelo de Vidro ganhou às telonas em 2017, com a personagem principal sendo interpretada pela brilhante Brie Larson.

“Filha, a gente não tem dinheiro para o presente, mas escolhe uma estrela no céu, e fica com ela pra toda a vida.” Todo mundo pode dar uma segunda chance à vida. Em suas memórias, a jornalista Jeannette Walls nos mostra, sem pieguices e respostas fáceis, que tudo na vida é mesmo relativo, que as adversidades podem ser vividas com leveza, somando aprendizado e grandeza às nossas biografias.

Castelo de vidro conta a história da família Walls e seu excêntrico modo de encarar a vida. O pai de Jeannette, Rex, possui uma filosofia de vida muito peculiar e, junto com a esposa artista plástica, conduz os 4 filhos por uma infância com muitas aventuras, mas também muitas situações desumanas. É até difícil não lembrar dessas situações sem ficar com um nó na garganta.

Castelo de vidro 1

Cena do filme de 2017

Esse é um livro biográfico, no qual Jeannete conta em retrospectiva a história de sua família, após ver a mãe mexendo em latas de lixo na cidade de Nova York. O livro é dividido em partes separadas mais ou menos pelas cidades onde a família morou. Jeannette narra cronologicamente desde seus 3 anos, começando com a cena em que colocou fogo no próprio corpo ao cozinhar salsichas para comer. Aos 3 anos! 3 anos! Esse fato, seguido da fuga dela, conduzida pelo pai, do hospital, só se deu pois sua mãe acreditava que ela já era madura o suficiente para preparar seu próprio alimento. Aos 3 anos!
A história é tão absurda que algumas cenas poderiam muito bem ter saído da cabeça do mais criativo e perverso autor de ficção e dói saber que a negligência com a qual esses pais tratam os filhos foi real, é real. Jeannette é jornalista e narra muito bem a história, em primeira pessoa e com uma certa inocência ao descrever as cenas da infância, que parece até mesmo que foi uma criança quem escreveu. A narrativa é bem descritiva, mas tem diálogos na medida certa, tornando o ritmo da leitura bem fácil e tranquilo. A história é atual e os lugares são reais. Acho que um mapa marcando as cidades pelas quais a família passou seria bem interessante para a diagramação do livro que conta também com apenas uma foto do casal. Acredito que livros biográficos funcionam ainda melhor com fotos das pessoas, pois aproximam ainda mais o leitor da história. Mas enfim…
A autora preocupa-se em narrar os fatos e o que ela estava sentindo no momento. Não conseguimos ver muito sobre a personalidade dos irmãos dela, a não ser no final, quando já estão adultos e suas ações, narradas pela escritora, traduzem um pouco de seus sentimentos durante toda a narrativa.

Castelo de vidro 2

Cartaz da adaptação

Esse livro mexeu tanto comigo que fiquei por várias vezes fora do ar pensando nos absurdos da história, comentei com minha família diversas situações do livro e pesquisei fotos, fatos e informações. Parece que minha mente se recusa a acreditar que alguns dos absurdos narrados sejam reais. Meu coração de mãe sentiu vontade de pegar cada uma daquelas crianças no colo e ninar, pois é impossível não sentir empatia por elas. E, por mais que pareça impossível no começo, também dá para entender um pouco de como a mente dos pais funcionava, e encontrar algumas explicações (Mas não justificativas!) para o que eles faziam.
Estou super ansiosa para ver o filme, mas ainda não tive a oportunidade. Esse livro é recomendação de olhos fechados para quem gosta de biografias, dramas familiares, histórias de superação e de amor familiar. O livro termina com um gosto amargo, e uma vontade gigante de correr para casa e pegar minhas filhas no colo.

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[RESENHA] Ecos

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Ecos foi publicado nessa edição linda pela DarkSide Books, em 2017, e foi escrito pela autora Pam Munoz Ryan.p_20171202_200953_vhdr_auto1184004058.jpg

Ecos, da premiada escritora norte-americana Pam Munoz Ryan, é uma fábula como há muito não se via – ou se ouvia. Um conto de fadas dark, que resgata o melhor da tradição dos irmãos Grimm, combinados com delicados momentos do século XX, como as duas grandes guerras e a Depressão econômica que assolou os Estados Unidos nos anos 1930. O resultado é uma fantasia histórica repleta de perigos e beleza, emoldurada pelo poder da música. A aventura começa cinquenta anos antes da Primeira Guerra Mundial – “a guerra para acabar com todas as guerras” – quando o pequeno Otto se perde na Floresta Negra e encontra as três irmãs encantadas, prisioneiras de uma velha bruxa, que conhecia apenas das páginas de um livro, e acreditava ser apenas uma lenda. Como em um passe de mágica, as irmãs ajudam o garoto a encontrar o caminho de casa. E Otto promete libertá-las, levando o espírito das três dentro de uma inusitada gaita de boca. Ao longo dos anos, o instrumento chega à mão de novos donos: um menino que vê o sonho de se tornar músico interrompido pela ascensão do nazismo; um jovem pianista prodígio que vive num orfanato e luta para não ser separado do irmão caçula; uma filha de imigrantes mexicanos que cuidam de uma casa de japoneses enviados a um campo de concentração dentro dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial. Personagens com dramas diferentes, mas um amor transformador pela música. Cada um à sua maneira, eles são afetados pela magia das três irmãs. Assim como os leitores do livro em todos os países em que Ecos foi lançado. Prepare-se para também ser arrebatado e enfeitiçado por essa fábula harmônica.

p_20171202_195800_vhdr_auto1397976336.jpgDividido em 3 partes principais, Ecos conta, na verdade, 5 histórias que se conectam por meio de uma gaita mágica. Temos a fábula das 3 irmãs cantoras que foram aprisionadas por uma bruxa e sonham em reencontrar os pais; a história de Otto, o mensageiro, que compra uma gaita que possui um som mágico (das vozes das 3 irmãs da fábula combinadas) e que deve passá-la para uma pessoa que esteja realmente precisando de auto confiança; e as três histórias principais. A história de Friedrich, a dos irmãos Mike e Frankie e a de Ivy, todas envolvendo a mesma gaita.

Os capítulos são curtos e, por ser um Young Adult, a linguagem é simples e muito fácil de ler. Já disse aqui que gosto de livros pequenos e gosto também de capítulos curtos. Acho que eles imprimem um ritmo à leitura que facilita a compreensão e ao mesmo tempo proporcionam ao leitor imergir na trama. A ideia do enredo não é muito original, pois tangencia uma releitura dos contos de fada, ao mesmo tempo em que usa a Segunda Guerra Mundial como plano de fundo, tendo crianças como protagonistas. Ou seja, parece mais do mesmo. Ainda assim, a estrutura da obra permite que o mote cative o leitor, pois o enredo é fragmentado e é como se lêssemos 3 livros ao invés de um.

p_20171202_194259_vhdr_auto864192866.jpg      O livro é narrado em terceira pessoa, mas o narrador faz uso do discurso indireto livre o que nos faz mergulhar nos pensamentos das personagens. Esse recurso narrativo é essencial para permitir ao narrador contar essa história que tem mais de um protagonista e ao mesmo tempo fazer com que o leitor tenha empatia com os personagens.

Quanto a eles, os personagens, posso dizer que Otto e as 3 irmãs passaram sem grandes destaques na história para mim. Já Friedrich, da primeira história, foi um dos meus favoritos, junto com Mike, irmão de Frankie, na segunda história. Eles têm a coragem e a maturidade comum aos protagonistas de histórias de guerra, e ao mesmo tempo têm a inocência e a convicção infantis de que podem consertar todos os problemas que os cercam. Já Frankie, irmão de Mike, e Ivy passam pela trama ainda muito imaturos e iludidos com seu próprio otimismo, o que traz consequências negativas para seus familiares.

O livro em si é um primor. Possui uma capa dura muito linda, fita para marcar a página, fonte confortável para ler e adaptada ao conteúdo das histórias, páginas amareladas e um corte laranja que chama atenção por onde quer que você carregue a obra. Só pelo design o livro já vale o investimento. É um dos mais bonitos da minha estante.

      Pam Muñoz Ryan ganhou o Human and Civil Award da NEA, a associação de educação dos Estados Unidos, pela sua literatura que aborda temas multiculturais. Já escreveu mais de trinta livros, que acumularam inúmeros elogios e prêmios, incluindo dois Pura Belpré Awards, o Jane Addams Children’s Award e o Schneider Family Book Award. Por Ecos, ela recebeu a Newbery Honor Book, um dos prêmios mais importantes da literatura infantojuvenil americana.
(Fonte: http://www.darksidebooks.com.br/ecos/)

  p_20171202_195824_vhdr_auto585329920.jpg    Não sei por que o lançamento do livro não teve tanto impacto quanto outro livro similar lançado pela mesma editora (A guerra que salvou a minha vida). O que eu sei é que a história é tão linda quanto e fico muito feliz por ter os dois em minha coleção.
Recomendo esse livro para os fãs de histórias com a Segunda Guerra Mundial como plano de fundo, para os fãs de música, para os fãs de YA e para todos que desejam saber mais sobre alguma dessas três coisas.p_20171202_200932_vhdr_auto2104832607.jpg

Livros lidos em Outubro e Novembro/2017

Nos últimos dois meses, eu fiz 5 leituras que foram bem especiais para mim. Um livro lindo, de fazer cair o queixo com a edição, um livro de uma autora que eu adoro, 1 livro de um dos maiores poetas da língua portuguesa e 2 livros que me fizeram perder o fôlego e chorar em alguns momentos. Vem conferir aqui e descobrir quais foram essas leituras:

Ecos (Pam Munoz Ryan): Esse foi o único livro que li em outubro, e por isso não compartilhei aqui antes (onde já se viu uma lista de um item só?). Mas agora posso contar para vocês que foi um dos livros que mais me surpreendeu esse ano. Primeiro, pela edição que está embasbacante (em breve posto a resenha com fotos dele aqui para vocês). E segundo, porque eu li a sinopse e ela não dá conta nem um pouco da história. Comprem pela capa, não liguem para a sinopse. Esse livro vale a pena, sim!

O castelo de vidro (Jeannette Walls): Não consegui parar de pensar nesse livro durante a minha leitura. Era no carro indo para o trabalho, era na cama antes de dormir, era no almoço com minhas filhas por perto… O tempo todo, os fatos narrados por Jeannette no livro ficaram martelando na minha mente, e no meu coração, a ponto de eu não conseguir parar de refletir sobre a alienação vivida por ela e pelos irmãos na infância. Definitivamente, um dos livros que mais me impactaram na vida. Para quem gosta de não-ficção e quer testemunhar como é uma família com pais negligentes, esse livro é a escolha certa.

A sereia (Kiera Cass): Esse é um livro com uma história de amor delicada e juvenil. Vale a leitura pela releitura que a autora faz do mito das sereias que foi muito bem apurado, por sinal. Mas Cass é bem mais do que esses dois protagonistas sem sal. Não se deixem enganar e leiam A Seleção!

Reparação (Ian McEwan): Uau! Esse foi o livro do mês do Piquenique Literário e ele arrebatou meu coração. Comecei a ler sabendo que era um romance e tudo que o meu coração queria era que tivesse um final feliz. Porém, minha mente, cansada de romances clichês e água com açúcar queria era ser surpreendida com algum final nada óbvio. Só posso dizer que o autor conseguiu fazer exatamente isso e, com uma história com o final bem agridoce, entrou para a minha lista de favoritos da vida!

Aforismos e afins (Fernando Pessoa): Este livro traz uma coletânea de aforismos escritos por Fernando Pessoa e seus heterônimos. Posso dizer que a leitura serviu muito bem para garimpar uns pensamentos novos como: “Esperar pelo melhor e preparar-se para o pior: eis a regra.”, ou “Custa tanto ser sincero quando se é inteligente: É como ser honesto quando se é ambicioso”, e ainda “A gramática é mais perfeita que a vida. A ortografia é mais importante que a política. A pontuação dispensa a humanidade.”

E você já leu algum desses? Conta para mim aqui nos comentário!

[RESENHA] Para sempre

O livro Para sempre foi escrito pelo casal Kim e Krickitt Carpenter e publicado pela editora Novo Conceito, em 2012.Para sempre - the vow 1

A vida que Kim e Krickitt Carpenter conheciam mudou completamente no dia 24 de novembro de 1993, dois meses após o seu casamento, quando a traseira do seu carro foi atingida por uma caminhonete que transitava em alta velocidade. Um ferimento sério na cabeça deixou Krickitt em coma por várias semanas. Quando finalmente despertou, parte de sua memória estava comprometida e ela não conseguia se lembrar do seu marido. Ela não fazia a menor ideia de quem ele era. Essencialmente, a “Krickitt” com quem Kim havia se casado morreu no acidente, e naquele momento ele precisava reconquistar a mulher que amava.
Para sempre é uma história verdadeira sobre a reconstrução de um casamento depois de um evento traumático que poderia ter feito a maioria das outras pessoas desistir, mas que para eles foi a chance de um novo começo.

Para sempre - the vow 3      Mais um livro biográfico que li. Essa história eu já conhecia por ter visto o filme com Rachel McAdams e Channing Tatum, com o mesmo título do livro. Ao ler a história real, é possível notar o tanto que o enredo do filme sofreu adaptações para ficar mais “hollywoodiano”. As duas histórias possuem a mesma premissa central, mas todos os demais detalhes foram alterados, desde o nome dos protagonistas e a profissão deles, até o modo como se conheceram e o casamento do casal, entre outras coisas.
Isso não tira, de modo algum, a singularidade da história deles, porém, torna o filme mais romântico e parecido com um conto de fadas. Sabemos que na vida real, as situações são bem menos mágicas.
O livro é bem curto (apenas 144 páginas) e dividido em 9 capítulos. É narrado em primeira pessoa por Kim, pois é ele quem tem conhecimento da vida deles antes do acidente. A linguagem é simples e bem fluída, a narrativa abrange diversos fatos importantes da vida do casal. Confesso que não simpatizei nem um pouco com a Krickitt, nem antes e menos ainda depois do acidente, nem no filme e menos no livro, mas me policiava durante a leitura o tempo todo para lembrar-me de que ela não é uma personagem inventada, ela é uma mulher real, que sofreu um grande trauma e perdeu vários anos da sua vida e merece minha empatia.
A história que acontece com o casal é extremamente inusitada e realmente digna de registro. O livro dá muito espaço para a questão espiritual e religiosa do casal, e principalmente de Krickitt. Eu imagino que a intenção deles ao compartilhar sua história era transmitir uma mensagem de fé para as pessoas. Hollywood transformou isso numa história de amor Eros. O que eu acho que não foi ruim uma vez que incentivou as pessoas que gostaram do filme (como eu) a dar uma chance à historia real por trás dele, por meio do livro.
No livro, mais que no filme, foi realmente angustiante acompanhar a narrativa de Kim nos momentos que sucedem ao acidente deles em que Krickitt fica em coma. Lágrimas quase verteram dos meus olhos enquanto lia. Mesmo assim, os enfeites que colocaram no filme, fizeram com que eu achasse a história das telonas mais encantadora do que a história real. Mas isso era de se esperar, não é? Pois era justamente o que os produtores queriam, acredito eu.
O mais bacana da história toda é saber que no final deu tudo certo, e isso não é apenas um final clichê de romances açucarados. É vida real! É o amor superando qualquer obstáculo!
O livro em si tem páginas amareladas que facilitam a leitura tornando-a menos cansativa, é bem diagramado e essa edição que li tem a capa do filme. É uma ótima leitura para quem acredita que o amor supera tudo, para quem confia que Deus tem um plano maior para nós e para quem gostou do filme, claro!

[RESENHA] 826 notas de amor para Emma

O livro 826 notas de amor para Emma, de Garth Callaghan, foi publicado pela Editora Leya, em 2014.826 notas de amor para Emma - capa 1

Garth Callaghan não sabe quanto tempo tem de vida. Mas está convicto de uma única coisa: independentemente de seu próprio destino, sua filha Emma vai encontrar um recado escrito à mão junto com seu almoço todos os dias, ate formar-se no Ensino Médio.
O diagnóstico de câncer tem dado à Garth um novo propósito: inspirar os pais a se aproximarem mais de seus filhos, mesmo nas situações mais cotidianas. Todas as manhãs, ao preparar o almoço de Emma, Garth adiciona uma pequena surpresa: um guardanapo com um recado – uma mensagem curta e extremamente carinhosa para transmitir seu amor, incentivo e orgulho.
826 notas de amor para Emma é um livro comovente, em que Garth, numa combinação de inspirações e memórias, apresenta seu legado a todos nós, para que também possamos aprofundar as relações com nossos próprios filhos e com aqueles que amamos.
“Partilho este livro porque nenhum de nós sabe quanto tempo ainda nos resta. Sim, nós caminhamos pelo planeta com a esperança de sermos invencíveis, mas todos nós sabemos que a vida pode ser tirada em qualquer instante. Eu tenho a dádiva de perceber que o fim está se aproximando. Posso reservar um tempo para fazer um balanço e dizer às pessoas que amo o quanto elas significam para mim. É a única coisa que importa. Sua casa, sua conta bancária, suas habilidades, sua profissão – nada disso importa. Tudo se resume aos relacionamentos duradouros que construímos. É isso. É tudo isso.”

Júlia e as 826 notas de amor para Emma.jpg O livro pode ser classificado como uma auto-ajuda biográfica. É dividido em capítulos curtos, em ordem cronológica, com algumas digressões, acompanhando a descoberta do câncer do autor. Por retratar uma história real, a trama já conquista o leitor nas primeiras páginas e é difícil não se emocionar com essa família. A narrativa é leve, a linguagem que o narrador usa é contemporânea e bem fluída e o grande destaque do texto são as citações que permeiam todas as páginas, citações essas reproduzidas dos bilhetes de guardanapo de pai para Emma.
O livro é todo narrado por Garth, mas no final há um capítulo em que Emma conta quais são seus bilhetes de guardanapo favoritos e é possível sentir, nessas poucas palavras da filha, que o amor entre eles é recíproco e puro.826-notas-de-amor-para-emma-capa-2.jpg
O livro todo é muito bonito, com páginas azuis em meio às brancas e os bilhetes e guardanapos desenhados nelas. Além disso, a capa é maravilhosa! Achei que poderiam ter colocado também foto dos personagens para ajudar o leitor a se familiarizar ainda mais com a história deles, acredito que esse é um artifício muito válido em livros biográficos.
Reproduzo aqui algumas das mensagens que eu achei mais tocantes:
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826 notas de amor para Emma - Não tome sorvete

826 notas de amor para Emma - Normal são os botões

826 notas de amor para Emma - Quem pensa que a luz do sol é pura felicidade

826 notas de amor para Emma - Mark Twain

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Embora tenha o câncer como pano de fundo, essa é uma história gostosa de ler, porque é sensível e emociona o leitor. Eu, que tenho 3 meninas, me vi em vários momentos nas atitudes do pai. Recomendo a todos esse livro, mas, se você tem filhos e sente necessidade de conseguir se conectar mais com eles, essa é a história certa para você!

[RESENHA] Matilda

O livro Matilda, de Road Dahl, é um clássico muito famoso da literatura infantil.

Matilda adorava ler. Passava horas na biblioteca, lendo um livro atrás do outro. Mas, quanto mais ela lia e aprendia, mais aumentavam seus problemas. Os pais viam televisão o tempo todo e achavam muito estranho uma menina gostar tanto de ler. A diretora da escola achava Matilda uma fingida, pois ela não acreditava que uma criança tão nova pudesse saber tantas coisas. A história de Matilda até que poderia ser triste. Mas Roald Dahl conta as coisas de um jeito tão absurdo e exagerado, inventa tantas travessuras e aventuras malucas, que tudo acaba ficando engraçado.

O livro narra a história de Matilda, uma garotinha que aprendeu a ler sozinha aos 3 anos e encontrou nos livros sua grande paixão. Inserida numa família que não a compreende, Matilda sofre tentando se adaptar, enquanto mergulha cada vez mais no mundo das letras. Quando começa a frequentar a escola, a menina conhece a Sra. Taurino, uma diretora linha-dura que cuida para transformar a vida dos alunos num inferno, e também a Srta. Mel, professora da turma da qual todos gostam, especialmente Matilda.

A história toda é muito criativa e com toques de elementos fantásticos o que é imprescindível para uma história infantil. Todos os elementos são bem amarrados e fazem parte de uma grande hipérbole justificada pela característica do gênero que é o mesmo no qual se inserem os contos de fadas. A leitura é gostosa, leve e fluída.

A narrativa é super simples e fácil de ler, tendo em vista o público alvo. O narrador onisciente é mais uma das características dos livros infantis. Os personagens são divididos em dois núcleos: a família (composta pelos pais Sr. e Sra. Losna, Matilda e o irmão) e a escola (onde aparecem a diretora Sra. Taurino, a professora  Srta. Mel e outros alunos). Todos eles possuem características distintas muito bem pontuadas e as mantêm do início ao fim do livro, com exceção da personagem principal que adquire não só conhecimento, como auto confiança ao longo da trama.

O livro Matilda destaca-se por sua linguagem direta, seus elementos alegóricos e o encanto do enredo que atinge não só às crianças, mas também aos adultos que assistiram ao filme na infância e querem matar a saudade dessa menina tão sábia e talentosa.

Road Dahl é famoso por seus livros infantis que foram adaptados para o cinema, entre eles Convenção das Bruxas e A Fantástica Fábrica de Chocolate. Essas obras do autor têm gosto de infância, cheiro de infância e cara de infância, mas quem disse que isso quer dizer que adultos também não podem ler?

Pessoas que me inspiram

Seja na no modo de levar a maternidade, a vida, ou como gerenciam suas resenhas literárias, eu tenho um rol de pessoas que me inspiram. Diferente dos ídolos, essa pessoas, mulheres, conduzem a vida e realizam seu trabalho de modo que eu me sinto próxima a elas e estão sempre no meu link de favoritos para acesso rápido. Aqui segue minha lista de inspirações para você se inspirar também:

Literatura

Além da Capa (Thaís Inocêncio e Bruno Freitas)

Devaneios de papel (Stephanie Bertram)

Impressões de uma leitora (Maria Luiza)

Juliescreveu (Julie)

Resenhando sonhos (Tamirez)

Livros da Nati (Nati Amend)

Nick Mafra

All about that book (Maíra Sigwalt)

Ariel Bisset

Book Adict (Duda Menezes)

Estante Torta (Camila Guerra)

Ler antes de morrer (Isabela Lubrano)

Literature-se (Mell Ferraz)

Nuvem literária (Ju Cirqueira)

Redemunhando (Natasha Hennemann)

TLT (Tatiana Feltrim)

 

Maternidade

Mãe de 04 (Juliana)

A maternidade (Rafaela Carvalho)

E as criança? (Karol Araújo)

Maezice (Ananda Urias)

Mochilinha e Violão (Luiza Nazareth)

 

Outros assuntos

Juny pelo mundo (Juny e Leo Rios) – Dicas de viagem

Marília não pode parar (Marília liberal) – Vida saudável

Me poupe (Nathália Arcuri) – Finanças

Primeiro Rabisco (Marina Viabone) – Lettering

Ler faz bem para a saúde

Ler faz bem! Sempre escutamos isso, mas exatamente quão bem o hábito de ler faz? Quais as vantagens efetivas a leitura traz para as nossas vidas?

Quem é obcecado por livros sabe que só existem vantagens na leitura, seja para o cérebro, para o corpo ou para a alma! Além de proporcionar ótimos momentos de lazer, a leitura relaxa, deixa a mente mais afiada e ainda torna as pessoas mais confiantes!

Alguns estudos já comprovaram que estimular o cérebro ao longo da vida, começando pela infância e mantendo esse hábito, contribuirá significativamente para uma boa saúde mental na velhice. Se quiser viver mais, melhorar a memória ou reduzir o estresse, considere acrescentar a leitura de alguns livros em suas metas pessoais. Veja aqui quais são os benefícios reais que a leitura pode trazer para a sua saúde:

Para a saúde mental:

Inteligência: Quanto mais você lê, mais coisas você sabe. Fortes habilidades de leitura precoce podem significar maior inteligência mais tarde na vida. São inúmeras as pesquisas que comprovam que ler aumenta as conexões neurais, fazendo com que o cérebro funcione melhor.

Criatividade: A leitura é combustível inesgotável para a imaginação e está diretamente relacionada à criatividade. Após ler uma obra de ficção, por exemplo, fica mais fácil enxergar novas possibilidades. Ao ler um romance, a capacidade de imaginar o cenário em que a ação se desenvolve, além da imagem física dos personagens, nos leva a criar um outro mundo dentro de nossas cabeças. Além disso, vez ou outra pode ser prazeroso aventurar-se também por livros fora do nosso estilo de leitura favorito, para ler histórias diferentes e ter outras sensações. As pessoas criativas estão sempre abertas para o que é novo e a leitura é um poço infinito de novidades, cultura, surpresas, universos e ideias extraordinárias.

Funcionamento do cérebro: Ler afeta o nosso cérebro como se realmente estivéssemos vivenciando os eventos sobre o qual estamos lendo e diminui a redução do funcionamento do cérebro, na velhice.

Aprender outros idiomas: Ler também faz com que a receptividade à linguagem aumente no cérebro – o que facilita na hora de aprender um idioma novo, por exemplo.

Senso crítico: O mais incrível da literatura é que, nos introduzindo a realidades e épocas diferentes, ela acaba suscitando reflexões que talvez não teríamos se ficássemos sempre presos ao nosso cotidiano e à nossa rotina fixa. Ler abre a mente, e isso pode te tornar uma pessoa melhor.

Informação e conhecimento: A coisa mais importante em um livro é, obviamente, o seu conteúdo. Existem livros sobre praticamente tudo, o que permite que você escolha ler aquilo que lhe convém e encontrar um mundo de informações dentro das páginas. É impossível medir quanto a leitura é capaz de somar ao nosso conhecimento, mas os livros nos permitem decidir o que e quanto aprender.

Escrita: Os melhores escritores são sempre os leitores mais ávidos! Ler ajuda a melhorar o vocabulário e a composição das frases.

Concentração: Quando lemos, treinamos e exercitamos nosso cérebro quanto à concentração e compreensão.

Memória: A leitura estimula a memória, expandindo a capacidade de nossa mente. A leitura regular ajuda a retardar o declínio na memória e função cerebral, mantendo nossa mente mais nítida, pois, ao ler, nosso cérebro cria caminhos para gravar aquilo que está sendo apreendido. Isso ajuda muito também na recuperação da memória de curto prazo.

Para a saúde física:

Alzheimer: Aqueles que envolvem seus cérebros em atividades como leitura, xadrez, ou quebra-cabeças podem ser 2,5 vezes menos probabilidades de desenvolver a doença de Alzheimer. Pessoas que mantem o hábito de ler após a vida adulta também preservam por mais tempo suas habilidades mentais.

Estresse: Realmente não importa qual livro que você escolhe: ao perder-se em uma história completamente envolvente você escapa das preocupações e tensões do mundo e passa algum tempo explorando o domínio da imaginação do autor. Uma pesquisa, feita em 2009, pela Universidade de Sussex, revelou que ler por apenas seis minutos ao dia já ajuda a reduzir em até 68% os níveis de estresse. Esse tempo foi suficiente para que os voluntários diminuíssem a frequência cardíaca e aliviassem a tensão dos músculos. Segundo o neuropsicólogo que conduziu o teste, David Lewis, “Perder-se em um livro é o maior estágio de relaxamento possível. Não importa qual é o livro, apenas o processo de escapar das preocupações do mundo cotidiano já é uma forma de relaxar.” Existe até um tipo de terapia feita com livros, a biblioterapia. É um conceito antigo que envolve o uso de leituras terapêuticas para reduzir o estresse, sintomas de distúrbios como depressão ou alguma perturbação emocional. O uso clínico dessa terapia pode incluir a leitura de ficção e não-ficção e leva em consideração a relação do paciente com o conteúdo de cada livro. Quando pensamos ou falamos sobre leitura, a imagem que vem à mente é a de alguém num lugar tranquilo, confortável e aconchegante, com a pessoa que lê expressando calma e felicidade. Ler é uma terapia porque é uma forma garantida de esquecer o mundo e os problemas à sua volta e abandonar o mundo digital por algum tempo, já que a atividade exige total desligamento e concentração, isso faz com que o seu stress do dia a dia diminua consideravelmente.

Sono: Ler pode aumentar sua paz interior. Ao criar um ritual de dormir, como ler, você dá sinais para o seu corpo que é hora de relaxar e ir dormir. Ler um livro ajuda a relaxar mais do que ficar na frente de uma tela antes de dormir. Telas como celular, televisão e tablets podem nos manter acordados por mais tempo e interferir na qualidade no nosso sono.

Expectativa de vida: Um estudo publicado no periódico Social Science and Medicine revelou que quem lê livros regularmente consegue viver por muito mais tempo. Em testes com mais de três mil voluntários, aqueles que dedicaram cerca de três horas por semana à leitura viveram pelo menos dois anos a mais do que os participantes que não costumavam ler com frequência. Imortalidade, aí vou eu!

Atividade física: Ler e fazer exercícios físicos combina? Sim! Muitas máquinas de exercícios na academia têm espaço para livros. Pessoas que levam livros para a esteira ou bicicleta, por exemplo, fazem os exercícios durarem mais, melhorando não somente a saúde da mente, mas do corpo também. Fica a dica!

Para a saúde emocional:

Desenvolvimento pessoal: A leitura nos dá as palavras, instrumento para expressar nossos sentimentos, além de ser uma atividade que estimula a reflexão sobre os nossos princípios, valores, pensamentos e atitudes. Depois de ler um livro, nós nunca voltamos a ser a mesma pessoa que éramos antes de lê-lo. Mesmo que não se perceba a mudança, algo do que lemos fica guardado nos nossos pensamentos e contribuiu para o nosso crescimento. Ler também eleva a autoestima. Alguns livros nos mudam mais, outros nem tanto, mas nunca podemos dizer que um livro não mudou em nós absolutamente nada. Todos eles fazem alguma diferença.

Realização pessoal: A leitura constrói sonhos e nos empurra à realização. As ações corajosas de personagens de livros podem ajudar os leitores a terem vontade de fazer mudanças positivas em suas vidas. Se o personagem fictício pode, por que eu não poderia? A leitura permite que você “viva” muitas histórias e tenha várias sensações, como se apaixonar por um personagem, sentir raiva, torcer por alguém, ficar ansioso e surpreender-se. A vida real dificilmente possibilitará que você vivencie tantas coisas diferentes em tão pouco tempo. Mesmo que um livro não tenha um final feliz, cenas tristes ajudam a aflorar memórias significativas do passado. Essas boas memórias podem resgatar bons sentimentos, te animando e melhorando seu humor.

Timidez: Mesmo quem não gosta de ler tem consciência de que a leitura é essencial e faz diferença no aprendizado, principalmente porque amplia o nosso vocabulário e melhora a escrita. Mas poucos percebem que a leitura frequente tem efeito também quando nos expressamos verbalmente. Quanto mais conhecimento, maior a capacidade de nos expressarmos bem, independente dos meios. Isso é excelente principalmente para os tímidos, que precisam reforçar a confiança em conversas ou para falar em público.

Empatia: Se perder em uma boa leitura pode tornar mais fácil para você se relacionar com os outros. Ficção literária, especificamente, tem o poder de ajudar seus leitores a entender o que os outros estão pensando, lendo as emoções de outras pessoas. Compreender os estados mentais dos outros é uma habilidade crucial que permite as relações sociais complexas que caracterizam as sociedades humanas. Empatia é uma capacidade bastante em falta no mundo, e consiste basicamente em compreender e se solidarizar, emocionalmente, com outro alguém.

Elimina a solidão: A solidão nunca é um problema porque leitores jamais ficam entediados ou tristes se não houver ninguém por perto para conversar ou lhes fazer companhia. Pelo contrário, até gostam de ter seus momentos sozinhos para apreciarem seus livros sem interrupções. Além disso, nada melhor para um leitor do que ter com quem conversar sobre o livro que acabou de ler. Fazer amizade com pessoas que lêem é garantia de sempre ter assuntos interessantes para conversar, porque falar sobre livros é um assunto infinito, além de ser muito fácil fazer amizades com leitores. Você menciona um livro, ele diz que também leu e em poucos minutos vocês conversam como se se conhecessem há anos!

Se você ainda não tem esse hábito, comece já, pois você só tem a ganhar com isso! Ler faz bem para a saúde mental, física e emocional.

Livros lidos em Setembro/2017

Em setembro, li apenas 5 livros, mas foram leituras tão gostosas e relaxantes que me deixaram plenamente satisfeita. Nem todos os livros servem para colocar a cabeça em reflexões profundas, mas mesmo assim todos têm um objetivo em comum: entreter e desestressar (pelo menos para mim).

  • IMG_20170827_202557_727826 notas de amor para minha filha Emma (Garth Callaghan): Esse livro conta a belíssima história da relação entre Garth e sua filha Emma. Ele descobriu que estava com câncer e resolveu reforçar seu hábito que escrever bilhetes em guardanapos para ela. Vale dizer que é livro emocionante, inspirador e real.“Partilho este livro porque nenhum de nós sabe quanto tempo ainda nos resta. Sim, nós caminhamos pelo planeta com a esperança de sermos invencíveis, mas todos nós sabemos que a vida pode ser tirada em qualquer instante. Eu tenho a dádiva de perceber que o fim está se aproximando. (…) Sua casa, sua conta bancária, suas habilidades, sua profissão – nada disso importa. Tudo se resume aos relacionamentos duradouros que construímos. É isso. É tudo isso.”

 

  • IMG_20170909_213654_553Para sempre (Kim e Krickitt Carpenter): A história que inspirou o filme. Após um acidente de carro, Krickitt perde a memória dos últimos meses de vida e não consegue se lembrar do próprio marido e ele faz de tudo para reconquistar seu amor. Outro livro com uma história e tão incrível que parece roteiro de Hollywood.

 

 

  • IMG_20170731_212524_008Sherlock Holmes Vol 1 (Arthur Conan Doyle): Livro enorme e maravilhoso! Ele reúne 3 obras anteriormente publicadas de Sherlock Holmes (Um estudo em vermelho, O sinal dos quatro e As aventuras de Sherlock Holmes) e nos introduz ao misterioso universo do detetive mais famoso do mundo. Fiz um tour pelo meu box com as obras completas e expliquei como me planejei para ler tudo aqui.

 

 

  • Profissões para mulheres e outros artigos feministas (Virginia Woolf): IMG_20170913_222311_967Este foi meu primeiro contato com a escrita de Virginia Woolf e fiquei encantada. Embora eu não goste muito de textos escritos com fluxo da consciência (característica primária da autora), pretendo ler mais obras dela para sentir como é sua escrita em romances. Este pequenino livro reúne bem as características que tanto gosto em livros pequenos. Nesses artigos escritos por Woolf, ela questiona a visão tradicional da mulher como “anjo do
    lar” e expõe as dificuldades da 
    inserção feminina no mundo profissional e intelectual da época.

 

 

  • Matilda (Roald Dahl): mais um livro infantil para a lista e dessa vez um clássico escrito pelo mesmo autor que concebeu A fantástica fábrica de chocolate e Convenção das Bruxas, duas adaptações maravilhosas para o cinema. Esse livro foi muito gostoso de ler pois o tempo todo me trouxe uma sensação de nostalgia deliciosa. Matilda adora ler e desde muito nova conheceu os clássicos da literatura. Por incrível que pareça, essa hábito causou a ela alguns problemas, mas com sua inocência e sagacidade, ela conseguiu se livrar de todos eles. Com certeza é um livro que merece ser lido por todos, crianças ou não.

Para que serve a literatura?

O que é literatura? Para que servem os livros? O que leva os autores a querer compartilhar suas histórias?

Muito além do simples entretenimento, as obras literárias carregam dentro de si uma riqueza tal que enriquece também quem as lê. Aristóteles, em seu livro Poética, expõe as três funções que ele acredita que a literatura tem: cognitiva, catártica e estética. Mais tarde, alguns estudiosos acrescentaram uma quarta função, a político-social.

Quer descobrir qual é a função dos livros que você anda lendo? Dá uma olhadinha aqui:

 

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Minha edição linda de Orgulho e Preconceito

Função cognitiva: é a função do conhecimento e da descoberta. Esta função está centrada no conteúdo transmitido. Ela refere-se à aquisição do conhecimento. Todo escritor tem uma percepção (conhecimento) pessoal da realidade que o rodeia. Essa percepção é chamada de inspiração, insight, ideia… A obra literária, por conseguinte, exprime esse seu conhecimento intuitivo e estético a respeito da realidade que o rodeia. É isso que faz com que um texto se torne uma obra-prima, pois o escritor se vale da sua experiência e da sua sensibilidade para comunicar o que pensa. Um exemplo de obra literária com essa função é “Orgulho e preconceito”, da maravilhosa Jane Austen.

 

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Clássico maravilhoso

Função catártica: catarse é o alívio de tensões, o desabafo. A palavra catarse vem do grego catharse e significa purificação, purgação. Foi usada por Aristóteles ao afirmar que as tragédias gregas (representações teatrais) purificam as emoções. Na literatura, ela é uma espécie de descarga emocional que provoca no leitor ou no escritor um certo alívio da tensão ou da ansiedade psicológica ou moral. Essa função tem uma longa tradição e tem como objetivo a compensação, a terapêutica e a transposição da personalidade. Dois livros que apresentam essa função são “A metamorfose”, de Franz Kafka e “A paixão segundo G.H.”, da Clarice Lispector.

1961 - A paixão segundo GH

Todo brilhantismo do fluxo de consciência de Clarice aqui

Função estética: proporciona prazer por meio da contemplação do belo. Para os gregos o belo consistia na proximidade com a verdade ou a natureza. No caso da literatura, isso se relaciona ao emprego adequado da metrificação, do ritmo, da rima, das figuras de linguagem, da articulação dos personagens, da estruturação do enredo, entre outros elementos. Essa função é a “arte pela arte”, é um fim em si mesma, é o alheamento dos problemas sociais. Um ótimo exemplo é a Quadrilha, poema de Carlos Drummond de Andrade.

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Obra-prima da Chimamanda

Função político-social: é a função do engajamento, da denúncia, da crítica. É o uso da literatura como meio de conscientização. Tem como objetivo convencer, atrair adeptos, ensinar e esclarecer, difundir valores. A obra literária também serve de instrumento de conscientização das pessoas e de transformação da sociedade de uma época e de um povo nos quais o escritor se acha inserido. A obra “Hibisco roxo”, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie é uma ótima exemplificação dessa função.

Conseguiram identificar suas obras favoritas de acordo com as funções? Eu percebi que me identifico mais com obras com as funções cognitiva ou político-social. E você?