O melhor cômodo da casa

O melhor cômodo da casa era onde estivesse meu livro, onde eu me teletransportava para um universo diferente e fictício.

O melhor cômodo da casa foi meu quarto, onde eu tinha um cantinho meu para descansar e refletir.

O melhor cômodo da casa é a cozinha, onde preparamos as refeições e sentamos à mesa juntos para comer.

O melhor cômodo da casa é a sala, modificada para receber a Júlia, mas que antes nos recebe esparramados por sofá, tapete e chão para assistir a um filme.

Pode ser a cozinha, a sala ou até dentro do carro. O melhor cômodo da casa é sempre onde estamos juntos.

A chegada

Se você pudesse ver sua vida inteira bem na sua frente, você mudaria as coisas?

Emocionalmente abalada!

Foi assim que saí da sessão de cinema. Eu não esperava por isso. Sabia que o filme ia me abalar intelectualmente, e foi a isso que eu me dispus. Mas eu estava despreparada para o estado em que ficou meu coração depois que a sessão terminou.

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Cartaz do filme

“A chegada”, dirigido por Denis Villeneuve, é um filme impactante e tenho certeza de que estará concorrendo ao próximo Oscar em diversas categorias. Quando subiram os créditos foi que eu vi que o filme é baseado num conto, do escritor Ted Chiang, chamado “A história da sua vida”.

Não, eu não li o conto. Ainda. Mas esse título é muito mais significativo do que o título do filme. Ele sim indica o que esperar da história que não é sobre vida alienígena, não é sobre a invasão da Terra, não é sobre guerra. É sobre a humanidade, sobre o melhor e o pior do ser humano, sobre a estupidez de alguns em oposição à entrega de outros.

“A chegada” conta a história de 12 naves alienígenas em formato de concha que um belo dia chegam ao nosso planeta. A linguista Dra. Louise Banks (Amy Adams) é recrutada pelos militares para tentar se comunicar com os enigmáticos alienígenas. Desde o início do filme ficamos sabendo de momentos dolorosos da vida da personagem, envolvendo sua filha. Em pouco tempo, já é possível perceber a solidão e a dor de Louise.

Como fã de linguística, confesso que me encantei com o foco do filme que é o imenso trabalho de interpretar os símbolos escritos pelos alienígenas e tentar comunicação com eles, além da árdua tarefa de convencer os militares a não matar logo de cara os ETs antes conhecer seu propósito na Terra.
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É um trabalho tão grande e a personagem fica tão imersa no idioma dos heptapódes que isso afeta sua vida pessoal, seus sonhos e o planejamento de suas ações. É fascinante ver as tentativas de comunicação dos humanos com os aliens, nas quais qualquer palavra interpretada de forma errada pode passar um sentido completamente diferente para ambas as partes. Adorei também a forma gráfica com que os aliens se comunicam, com lodogramas circulares, sem começo nem fim, que refletem a forma alinear com a qual eles enxergam o tempo.

Li numa crítica que o filme claramente tem um vilão e ele é a estupidez humana, que desconhece limites. Concordo plenamente! E mesmo sem ter mencionado nesse texto as qualidades técnicas do filme, o maior triunfo dele, na minha opinião, reside em seus momentos humanos e pessoais.

Antes das cenas finais, a Dra. Banks pergunta a seu colega “Se você pudesse ver a sua vida inteira bem na sua frente, você mudaria as coisas?”. Ele responde. Ela decide sobre o que faria. E você?

A Vanessa precisa

Na terça-feira passada meu marido foi trabalhar e eu estava de folga em casa com as meninas. Na noite anterior eu havia saído para buscá-lo no trabalho (com a minha chave) e, quando voltamos, ele abriu e trancou a casa (com a chave dele). Me arrumei para sair de manhã. Acordei as meninas, elas se arrumaram também e tomamos café. Manhã linda até a hora de sair de casa…

Eu esqueci a minha chave! Dentro do carro, na noite anterior. Estávamos trancadas dentro do apartamento, eu tinha um compromisso para dali meia hora, crianças alimentadas e ansiosas (passariam o dia com a prima) e eu desesperada. O que fazer? O que fazer?

Tive a ideia brilhante: 1. Ligar para o marido e descobrir o telefone da portaria do condomínio; 2. Ligar para a portaria e pedir para alguém vir até a janela da sala; 3. Dar a chave do carro pra pessoa e pedir para ela pegar a chave do apartamento dentro do carro (graças a Deus morar em condomínio!); 4. Nos destrancar e viver feliz para sempre.

Passos 1 e 2 foram cumpridos com maestria. Mas o passo 3 demorou, demorou, demorou. O zelador (único funcionário volante no momento) estava dando manutenção na caixa d’água e demorou a descer para nos ajudar. Só depois de quase 1 hora, conseguimos sair de casa. Resultado: perdi o horário do compromisso e aprendi umas lições.

Coisas que a Vanessa precisa:

1-      Prestar mais atenção: está certo que ser um pouco distraída sempre fez parte do meu charme pessoal, mas os hormônios da gravidez têm potencializado minha desatenção ao extremo. Eu praticamente nos tranquei dentro de casa;

2-      Ser mais paciente: e, principalmente, demonstrar paciência. Crianças só aprendem com o exemplo, e a Clara ficou extremamente inquieta enquanto esperávamos o zelador;

3-      Valorizar mais a minha própria criatividade: fico sempre repetindo que criatividade não é o meu forte, mas quando consegui elaborar um plano do que poderia fazer para me livrar do confinamento, me senti a própria Sherlock. Sério! Foi como se uma lampadinha se acendesse sobre minha cabeça. Nunca valeu tanto a pena os livros policiais que li;

4-      Ser mais organizada: não só por mim, mas pelas meninas também que precisam de uma mãe centrada para ser exemplo;

5-      Dar mais risada: com certeza fui o motivo de riso dos funcionários do condomínio pelo resto do dia. A doida que se trancou dentro de sua própria casa. Eu riria… Muito;

6-      Olhar a janela: houve um momento em que a Clara colocou a Pimenta na janela (ela adora) para olhar lá fora. Aquele rabinho abanando de felicidade, e os gemidos de tristeza quando desceu me fizeram pensar nas pequenas felicidades da vida que não costumamos dar valor no dia a dia. Animais e crianças têm o dom de nos ajudar a lembrar desses momentos. A vista da minha janela é linda e eu quase nunca a aprecio;

7-      Largar o celular. Foram cerca de 50 minutos de espera. Quase 1 hora durante a qual eu não larguei o telefone. Tempo que eu não gastei com outras coisas (tv, livro, computador) porque não sabia quanto iria durar, mas que eu passei colada no celular. Com a Clarinha ali, bem na minha frente implorando por algo que a distraísse da própria impaciência. Com a Laís, no auge do seu desprendimento, colada na tv, assistindo desenho no quarto enquanto esperava;

8-      Anotar o telefone da portaria: imagina a grávida de 7 meses ligando para o marido em pleno expediente para perguntar o número da portaria? O coitado deve ter quase infartado pensando que o bebê estava nascendo;

9-      Fazer uma cópia da chave: sério! Mesmo que eu cumpra todos os itens anteriores (o que eu sei que vai demandar um certo esforço), preciso fazer uma cópia da chave. Só por garantia;

10-   Aprender a lidar com os imprevistos: desmarquei de última hora a massagem que havia agendado e corri o risco de ter que desmarcar uma consulta de pré-Natal, caso não saísse de casa a tempo. E sabe o que aprendi? Que imprevistos acontecem e que devemos estar preparados para lidar com eles. Simples assim!

Laís

Quando ela veio, num 25 de setembro meio frio e meio cinzento, chegou para mudar a minha vida.
A dor do parto não iria nunca se comparar à dor de vê-la sofrendo.
Durante um certo período de tempo, minha vida era ela. Mas percebi que ninguém merecia uma mãe assim, sem vida própria.
Não foi fácil individuar, mas sempre achei que o maior presente que podia dar à minha filha seria a independência.
Raízes e asas, receita tão batida, mas cujo ponto é tão difícil de alcançar…
Olhando assim pra ela, os expressivos olhos amendoados que herdou de mim, penso que a missão foi cumprida.
Laís é riso largo, franco, escancarado.
Amo quando solta suas gargalhadas rasgadas. Não se contém mesmo. O riso brota solto. O rosto, já lindo, ilumina-se. Ilumina o ambiente todo.
Melhor ainda é quando dança, sinônimo de completa felicidade!!! Tem uma voz linda e poderosa como ela, que tem personalidade forte!
Quando tem que sofrer, é assim também, com esta intensidade toda. Ainda bem que passa e logo ela se torna leve.
Porque leveza é o que mais tenho aprendido com ela.
Dizer que minha filha é linda, que é inteligente e prática, criativa e carinhosa soa como clichê repetido mil vezes.
Mas é. Na verdade, é bem mais que isso.
Ela vive o amor de verdade, o amor de todo dia, de toda hora. Verdadeira e sincera, não finge que gosta quando não gosta. Indecisa, às vezes não sabe dizer não no momento certo.
Amorosa, não foge quando uma amiga (ou a mãe) precisa de ajuda.
Talentosa, me orgulha com suas criações. Me orgulha com seus desenhos, seus textos e seus poemas. Tenho convicção de que alcançará seus sonhos, mesmo que a duras penas. E andará sempre buscando outros.
Mas o que mais admiro nela é como sabe conquistar, cativar, manter, cuidar do amor que brotou em seu coração.
Isso é inteligência emocional.
Essa maturidade que ela tem possibilita um convívio democrático entre nós, apesar das diferenças, das arestas que ocorrem em todos os relacionamentos.
E fico assim, pensando que minha filha é um presente de Deus, presença abençoada na minha vida e companheira de tantos momentos.
Seja feliz, minha linda, hoje, sempre, a cada dia!
Te amo demais.

Mamãe

 

Clara

Aprendi a te amar desde quando você ainda nem existia, quando existia apenas no meu instinto materno a te desejar. Aprendi a te amar quando você ainda nem era nascida, quando vivia lá no meu ventre tão bem aninhada, a saracotear dentro de mim, a fazer a maior pressão. Sempre com pressa. Tinha pressa de nascer… não queria esperar a hora chegar.

Tive a certeza de que te amava ao vê-la pela primeira vez tão pequenina, tão indefesa em meus braços, quando te aconcheguei calorosamente e ao perceber que você era mais uma razão para eu viver.

Aprendi a te amar e 13 de outubro nada tem a ver com isso. Aprendi a te amar quando percebi que não preciso te incentivar à independência, você já luta suas próprias lutas independentemente das motivações externas. Mesmo assim, sei que jamais estaremos afastadas uma da outra, pois nosso elo nunca se romperá…

Aprendi a te amar vendo seu lindo sorriso e olhar curioso, vendo o modo amoroso com o qual cuida da sua irmã, embora você seja a caçula. Ou melhor, o modo como cuida de todos, pois nunca vi pessoa mais bondosa nesse mundo. Clarinha é espontânea, sempre atenta, esperta que só.

Aprendi a amar cada lágrima que derrubava quando bebê, cada choro sentido ou sem sentido algum. Mesmo triste é linda. Aprendi a te amar quando descobre uma resposta, quando aprende algo novo, quando corre e grita. Aprendi a amar sua dificuldade em se conter e aprendi a amar sua generosidade.

Minha Clara é linda e inteligente. É esperta, curiosa e muito ágil. Se doa em todos os relacionamentos e exige exclusividade. Sempre sabe o que quer e não se omite em dar palpites.

Me enche de orgulho a cada conquista, a cada 10 na escola, a cada partida de dama que vence de mim. Tenho certeza de que o mundo será pouco pra ela, mesmo que o tenha que descobrir a pé

Venho te amando desde sempre e incansavelmente a cada dia que nasce e por isso eu desejo na sua vida todos os motivos para que possa sempre sorrir e para garantir graças, bênçãos e abundância. Confio-te a Deus para que te cuide com jeitinho, com carinho, que te aninhe em Seu coração te mostrando sempre o bom caminho.

Não importa o quanto você cresça, para mim você sempre vai permanecer a mais nova, a mais querida e a mais esperta das crianças! É engraçado perceber que até hoje ainda não esqueci os seus traços de bebê, por mais que pareça papo de mãe coruja, consigo diariamente ver em você tudo de novo que te faz crescer.

Poder estar sempre por perto e acompanhar todo o seu desenvolvimento, certamente me trouxe muito mais que felicidade. Ver aquela bebezinha transformar-se numa menina linda foi um privilégio muito maior do que eu poderia querer.

Saber que eu tenho uma filha inteligente e determinada, me faz ter a certeza que qualquer dificuldade, que por ventura apareça, será ultrapassada sem haver fraqueza. Ver você completar mais um ano de vida enche totalmente o meu coração de felicidade.

Que o seu dia seja maravilhoso e inesquecível. Que a vida lhe proporcione sempre muito amor, saúde e tranquilidade.

E sabendo que aprender é a coisa mais importante da vida, que cada acontecimento é uma lição, tenho a certeza de que minha filha é o maior presente de Deus pra mim, pois me faz aprender diariamente, minha melhor professora!

Parabéns, minha linda, hoje, sempre, todos os dias!
Te amo demais.

 

Carta para minha Júlia

Você ainda nem nasceu, mas já existem algumas coisinhas que eu gostaria de te contar. Você foi muito desejada por mim, mesmo antes de eu saber que te queria, eu já sonhava com você. Quando você nascer, vai me reconhecer como aquela que está sempre com cheirinho de leite. Eu uso óculos e adoro ler em voz alta pra você me ouvir. Nem sempre leio livros infantis, mas sei que você reconhecerá minha voz, assim como eu reconhecerei seus movimentos.

Hoje estamos fisiologicamente ligadas, mas daqui algumas semanas estaremos conectadas pelo amor mais intenso do mundo. Não precisa ter medo. Esse mundo é enorme, mas eu sempre estarei ao seu lado.

Aqui existem os ÃO e os AR. Os AR combatem os ÃO! Esses ÃO vão querer acabar com a sua saúde, seu bem estar e sua paz de espírito: Competição, Encheção, Traição, Preocupação, Enganação… E por aí vai, mas a única forma de você continuar vivendo bem e com saúde é usando os AR: Respirar, Perdoar, Pensar, Repensar, Amar, Comemorar, Abraçar, Beijar, Namorar, Viajar, Estudar, Trabalhar, Se esforçar, Meditar, Escutar… Os AR sempre vencem os ÃO, ok?

Você está cercada de pessoas que te amam e vão sempre te apoiar.

O seu pai é um homem paciente, determinado e ele desejou a sua chegada mais do que tudo. Ele foi o primeiro sorriso de alegria incontida com a notícia de que você é a prova mais bonita de que nos amamos. Ele ama muito a mamãe, é muito gentil e tem se esforçado para ser um homem ainda melhor por você. Respeite e ame muito o seu pai, ele vai ser o seu melhor amigo e te ensinar a se defender! Com ele você aprenderá sobre o universo e matemática, e também a jogar vídeo-game, andar de bicicleta e montar um cubo mágico.

Sua irmã Clara é uma menina muito esperta. Ela sempre estará disposta a te ajudar (a andar, a comer e a fazer bagunça). Ela brinca muito com você já desde a barriga e tenho certeza de que serão grandes companheiras. Ela é muito agitada e brincalhona e está ansiosa com a sua chegada. Aprenda a explorar com ela. Explorar o mundo, as histórias e as ideias. Ela vai te ensinar a pensar fora da caixa e que ‘porque sim’ não é uma resposta aceitável.

A sua irmã Laís é a mais velha. Isso traz para ela algumas responsabilidades que ela gosta de fingir que não tem, mas ela se preocupa muito com você e com a Clara. Ela é uma menina doce e calma, é super criativa e sempre vê o arco-íris depois de uma tempestade cinzenta. Ela vai mostrar a você que as coisas nem sempre saem como planejamos, mas que não é preciso desanimar por isso. Com ela você vai aprender que a amizade é um sentimento tão importante quanto o amor. Ela vai te emprestar todos os livros e gibis da Turma da Mônica e vai ler muitas histórias para você.

Os seus avós Sonia e Francisco são as melhores pessoas que já conheci. Preste sempre muita atenção na retidão do coração do seu vovô, a honestidade e a caridade são dons que eu desejo pra você e ele tem muito disso para te passar. Aprenda também com ele sobre fé, ele tem muitas histórias pra te contar sobre isso. Sua vovó Sônia é o tipo de pessoa que vai sempre te apertar e te amar muito, ela já faz isso. Aprenda com ela que a preguiça não existe, que tratar a todos muito bem é um prazer e que ser generoso é um privilégio. Ame-os muito… E ame-os pelo que eles são.

Seus avós Cecília e João Donizete são pessoas com um grande coração e não medem esforços para fazer com que a gente se sinta bem, sabe? Você vai saber um dia! Aprenda com o seu avô a ser uma pessoa que valoriza o trabalho, peça pra ele te ensinar sobre a terra e a natureza. Você vai gostar de ouvir e ele está ansioso com a sua chegada. Sua avô Cecília adora crianças. Toda vez que passa a mão na minha barriga enquanto você cresce aqui dentro, eu sinto o amor imenso que ela tem por você. Aprenda com ela sobre o amor pela família e o quanto Deus é justo em nossas vidas. Ela vai brincar de esconde-esconde com você e te dar um monte de guloseimas para comer. Ame-os sempre!

Sua prima Sthéfany é muito agitada e vai te ensinar a fazer tranças e a se dedicar aos estudos. Seja carinhosa como ela e aprenda a ser grata pelas gentilezas que recebe. Seu primo Luccas pode parecer meio peralta no começo, mas tenho certeza de que vão brincar muito juntos. Aprenda com ele sobre os animais e sobre os desenhos mais legais para assistir. Sua prima Helena vai explorar o mundo com você. Tenho o pressentimento de que serão melhores amigas. Ela vai te ensinar quem tem o melhor colo, quais são as brincadeiras mais legais e as melhores roupas. Ame muito esses três. Primos são uma das partes mais gostosas da infância e tornam-se grandes amigos quando ficamos adultos!

Existem outras pessoas importantes que você precisa conhecer e amar. Aprenda dicas de beleza com a sua tia Nina Iracema. Tio Bruno vai te ensinar a usar a imaginação. E sua tia Andressa sempre vai te dar colo. Aprenda sobre música com o papai e sobre livros com a mamãe! Tem muitas pessoas da família do papai e da mamãe que você vai conhecer. Nós não temos muitos amigos, mas os que temos estão valendo por um milhão!

E uma última coisa que preciso te dizer, valorize muito os seus pais e acredite em Deus. Nós vamos errar bastante, mas também vamos acertar e tentar de tudo para o seu bem. Você foi concebida com muito amor e esse mesmo amor vai te acompanhar pra sempre.

Um beijo cheio de amor, da sua mãe!

PS: Hoje o dia está lindo! Um céu azul claro, digno de filme, o sol brilhando e uma brisa fresquinha… Você vai adorar tudo aqui fora!

Eu não sou

Eu não sou o meu carro. Eu sou os caminhos que percorro com ele. Eu sou as meninas brigando no banco de trás. Eu sou as músicas que tocam no rádio. Eu sou o vento que passa pela janela aberta bagunçando os cabelos. Eu sou a falta de prática para fazer baliza. Eu sou a baba de cachorro pingando. Eu sou a necessidade de mais lugares.

Eu não sou meu cabelo. Eu sou o cheiro de shampoo depois do banho. Eu sou as trancinhas que as minhas filhas fazem em mim. Eu sou o baby liss escondido. Eu sou as pontas duplas devido à falta de cuidados. Eu sou a toalha enrolada do jeito que a minha mãe me ensinou.

Eu não sou o meu nome. Eu sou aquela que é fã de borboletas, a que tem medo do escuro e a que diz sempre obrigada. Eu sou a que estuda, mesmo longe da escola; a que adora cantar no chuveiro e a que escreve para não transbordar.

Eu não sou esse corpo. Eu sou os livros que eu leio, as músicas que escuto e os lugares aonde vou. Eu sou Laís, Clara e Júlia. Eu as histórias por trás de cada cicatriz. Eu sou os hematomas de desequilíbrio. Eu sou os pés cansados no salto alto. Eu sou uma alma.

Eu não sou a comida que eu como. Eu sou a neura por chocolate. Eu sou o cheiro do café recém coado. Eu sou o restaurante no qual o garçom me chama pelo nome. Eu sou o “não precisa da minha via do cartão”. Eu sou a tradicional pizza nos aniversários.

Não sou a roupa que eu visto. Eu sou o flerte com o vestido da vitrine. Eu sou a delícia de colocar um chinelo de dedos ao chegar em casa. Eu sou a pele por baixo do uniforme. Eu sou o cheiro do suor no final da tarde. Eu sou a escolha por trás dos brincos, pulseiras e anéis.

Eu não sou a minha casa. Eu sou a procura nas imobiliárias. Eu sou a lavanderia molhada quando a máquina de lavar vaza. Eu sou o vapor no banheiro depois de uma chuveirada. Eu sou a cama bagunçada depois de uma noite bem dormida. Eu sou o quarto com a janela aberta. Eu sou a mesa comprada depois de 10 meses. Eu sou a que escreve…

Para minha Clara

img_20151229_190206109Ser mãe de uma criança tão esperta quanto você pode ser um desafio e um privilégio. As mesmas características que tornam estas crianças difíceis de lidar, também fazem delas seres humanos interessantíssimos. E assim é você, Clara.

Eu pisco e você liga o computador, sem ao menos tirar o uniforme. Eu derramo suor e lágrimas para fazer com que você se alimente bem. Eu me espanto com as músicas que você cantarola. Eu brigo por causa do aparelho dentário. Você me deixa exausta.

A minha auto confiança como mãe já levou muitas surras deste seu espírito teimoso. E quando eu penso que estou te educando, você me mostra que foi apenas uma pausa para que eu possa recuperar o fôlego, você ainda tem muito que crescer.

Às vezes me sinto como se estivesse fazendo tudo errado. Há dias em parece que estou andando para trás em vez de para frente. Há momentos em que quero desesperadamente sentar no chão e gritar, e houve ocasiões que foi exatamente isto que eu fiz.

E daí você vem com um abraço. E me dá um beijo. Como se um fogaréu e uma tempestade pudessem habitar o mesmo coração.

No fundo, por diversas vezes sinto que eu sou a aluna e não a professora. Momentos nos quais só me resta sentar e observar. E é quando vejo lampejos da imensidão que mora dentro de você. Esta grandeza em forma de garota, e que ainda está em processo de casulo.

Eu amo cada gota desta sua personalidade brilhante. Você sabe o que quer e não se conforma facilmente. E enquanto eu preciso que você entenda minhas decisões, eu não quero de maneira nenhuma que você deixe esta chama questionadora que mora dentro de você se apagar. Eu não quero que você deixe de lado estes traços que fazem de você, VOCÊ.
E, acima de tudo, eu não quero que, nem por um momento, você esqueça que é completamente, profundamente, incondicionalmente amada. Não apenas por mim, por sua irmã, por seus avós, por seu padrasto, por suas amigas, mas por Deus. E que o amor Dele excede todo o nosso em mil vezes mais.

img_20160109_140035832Rezo para que um dia você possa usar esta tenacidade, que transborda liberdade, para guiar o seu caminho, e de todos aqueles que você puder ajudar. E que você canalize toda esta energia e determinação para fazer deste mundo um lugar melhor para se viver.

Obrigado por amar todas as minhas imperfeições. Eu sou uma pessoa infinitamente melhor por causa de você, e eu continuo aprendendo com você. Obrigada por crescer junto comigo. Obrigada por ter me escolhido como sua mãe. Perdão por todos os erros que cometi enquanto tentava acertar.

Mas, por hoje, você ainda é a minha menina. E por agora, você ainda depende do meu colo, onde posso respirar nos seus cabelos o cheiro da infância enquanto sussurro a Deus uma prece de gratidão. Eterna gratidão por Ele ter me confiado a tarefa de guiar esta alma enorme para o mundo. E isso, por si só, já é um privilégio gigantesco.

Feliz aniversário, Clara.

Aniversário

Nesse final de semana é o aniversário da Laís. Eu adoro aniversários e por isso achei que poderíamos estender a nossa comemoração de sexta a domingo.

Sexta-feira foi o dia do bolo. Nos reunimos na casa dos meus pais para cantar parabéns. As meninas enfeitaram e rechearam o bolo com brigadeiro e beijinho, enquanto na sala eu e meu marido brincávamos com a Helena.

Foi enquanto comíamos na mesa que minha mãe comentou “Tá todo mundo aqui hoje”. E então eu notei: Realmente estavam todos lá. Todas as pessoas que eu mais amo no mundo inteiro reunidas na mesma sala.

Meu pai, patriarca da família, nitidamente satisfeito com aquele bando de mulher tagarelando na cabeça dele. Ele que é minha primeira paixão, meu ídolo e meu exemplo de vida, sentado ali, bem na minha frente.

Minha mãe estava na ponta da mesa. Sempre coruja com as netas e sagaz para qualquer indício de problema com as crias. Ela que sempre cede para a família seu tempo, seu carinho e seu espaço.

Do meu lado direito, Laís. A quase aniversariante. A menina que cedeu brigadeiro em metade do bolo só porque a irmã não gosta de coco. A primogênita que fica encantada com luzes de decoração. A garota doce que não se dá conta que a infância tem fugido dela a cada ano e seus traços de criança vão dando lugar aos de uma moça linda e encantadora.

Na outra ponta da mesa estava a Clara. A comilona. Minha baixinha que ainda não sabe controlar seus impulsos e que todo dia me desafia a ser uma mãe melhor e a tirar o melhor dela. Ela que sempre entende e quase sempre obedece. Ela que tem se rendido ainda mais rápido do que a irmã aos encantos da adolescência.

No sofá estavam minha irmã, com o marido e a filha. Minha irmã caçula que foi minha primeira boneca e agora reacendeu a leveza da família com a Helena. Ela e o marido que formam um casal que merece tudo de melhor nesse mundo. Aqueles 3 juntos que mesmo com pouco tempo de convivência demonstram a maior sintonia e conexão que já vi. Eles estão sempre na mesma página, no mesmo livro, na mesma estante.

Do meu lado esquerdo, aquele em que fica o coração, literalmente, estava meu marido. Com o hálito doce de bolo de chocolate, completamente entrosado com meu sangue, com minha turma. Minha família e eu estamos unidos por laços biológicos, mas meu marido… ah, meu marido… ele quis a mim. Ele é o único dali que teve o poder da escolha. E escolheu a mim. E eu a ele. E eu o amo por isso.

E junto comigo, no meu ventre, minha pequena Júlia. Meu serzinho mais desejado. A pessoinha que ainda não nasceu, mas está aqui comigo o tempo todo me lembrando o quão abençoada eu sou, o quão maravilhosa é a minha vida e o quanto Deus me ama.

Obrigada, pai, por seu meu guia.

Obrigada, mãe, porque eu sei que doeu e dói.

Obrigada, Lalá, porque foi seu aniversário que me proporcionou essa reflexão.

Obrigada, Clara, por (sempre) me alegrar.

Obrigada, Dê, por ter encontrado seu grande amor e ter trazido a Helena pra gente.

Obrigada, Cisco, por ter aceitado fazer parte da minha vida.

Obrigada, Júlia, por ter me escolhido para ser sua mãe.

E obrigada, Deus, porque eu sei que tudo isso era Você lá ontem a noite…