TAG dos 50%

Vou responder a primeira Tag aqui no blog, com muito atraso, é claro. Apresento-lhes minha Tag dos 50%:

1. O melhor livro que você leu até agora, em 2017:

Outlander. Este livro tem 800 páginas, minha gente, e é o primeiro de uma série de 8 livros (por enquanto). Todos eles calhamaços, alguns divididos em 2 partes (ambas calhamaços). Levei 2 meses para lê-lo, mas afirmo: Vale cada página. O livro é incrível, a história é linda e delicada. Sem contar a série adaptada que está muito fiel à história. Vale muito à pena!

2. A melhor continuação que você leu até agora, em 2017:

Turma da Mônica: Lições. Está graphic novel é a continuação da Turma da Mônica: Laços, entretanto são histórias independentes, tanto que li essa primeiro. O roteiro é de uma delicadeza ímpar e as ilustrações são de tirar o fôlego. A edição foi feita com muito carinho e cuidado. Uma das minhas melhores aquisições do ano, com certeza!

3. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito:

Não estou muito por dentro dos lançamentos.

4. O livro mais aguardado do segundo semestre:

Mais uma vez, não sei quais serão os livros lançados.

5. O livro que mais te decepcionou esse ano:

A outra face, de Sidney Sheldon. Definitivamente, um dos melhores autores da minha adolescência, tenho que confessar que ele me decepcionou muito com esse livro. O enredo é fraco, o mistério é óbvio e clichê e o livro é repleto de preconceitos e homofobia que causam urticária só de lembrar! Não recomendo mesmo, principalmente para crianças e adolescente que ainda estão na fase de formação de caráter.

6. O livro que mais te surpreendeu esse ano:

Para poder viver. Li esse livro para o piquenique literário e o que eu senti foi inexplicável. Compartilhando da experiência de outros participantes do grupo, eu relutei em ler esse livro, porque tanto ele quanto a sinopse não me atraíram nem um pouco. Mas um dos intuitos do piquenique é justamente esse: nos tirar da zona de conforto e nos fazer ler livros que não leríamos por nós mesmos.

7. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre, ou que você conheceu recentemente):

Chimamanda Ngozi Adichie. Conheci essa autora esse ano e já li 3 livros dela. Um foi para o piquenique literário (Hibisco roxo – falei dele aqui), os outros 2 foram por vontade própria. Virei fã!

8. A sua quedinha por personagem fictício mais recente:

Nenhum. Meu crush é sempre o Cisco. ❤

9. Seu personagem favorito mais recente:

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Minha edição linda de A guerra que salvou minha vida

Ada Smith, de A guerra que salvou minha vida. Livro lindo e cativante e personagem mais ainda.

10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre:

Para poder viver, de Yeonmi Park

11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre:

Animais fantásticos e onde habitam – roteiro. A edição deste livro é linda e ele me fez muito feliz, pois queria muito e ganhei de presente de Dia das Mães.

12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora, em 2017:

Assisti poucos filmes e não me lembro de nenhum que tenha lido o livro também.

13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo):

Não escrevi nenhuma no primeiro semestre 😦

14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano:

Turma da Mônica – Lições (ver resposta da pergunta 2)

15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano?

Comprei o box com toda obra de Sherlock Holmes. Espero conseguir ler pelo menos os 2 primeiros volumes ainda esse ano.

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Livros lidos em Julho e Agosto/2017

As leituras desse bimestre renderam, viu? Foram 11 livros em 2 meses e vou contar um pouquinho de cada uma delas aqui para vocês:

  • O conto da aia (Margaret Atwood): Definitivamente, o melhor livro que li esse ano! Não consegui largar a história e tive que me policiar para não devorar o livro em um único dia. Essa obra conta a história de Offred que é Aia na casa do Comandante. A história foi adaptada para televisão e tem sido considerada uma das melhores séries do ano. Para quem não ouviu falar nada dela ainda, vale a pena a pesquisa! Fiz um pequeno post no facebook contando 5 motivos para gostar de O conto da Aia. Vem conferir!
  • Outros jeitos de usar a boca (Rupi Kaur): Este livro de poemas é de uma autora indiana e está dividido em quatro partes que buscam retratar algumas fases da vida das mulheres. Não são poemas românticos, são versos que causam impacto como um soco na boca do estômago, trazem amargo para boca e nos fazem arrotar alguns sapos engolidos. Recomendo para todos que desejam conhecer um pouco mais a fundo o universo feminino.
  • Harry Potter e a pedra filosofal (J. K. Rowling): Fiz essa releitura maravilhosa em Julho. Comecei a ler o primeiro livro da série para minhas filhas, mas não consegui fazer com que elas se prendessem à história. Provavelmente não estão prontas para ingressar em Hogwarts ainda. Tentarei de novo ano que vem! Acabei, por fim, terminando a releitura sozinha e isso despertou em mim a vontade de reler todos os outros livros. Câmara secreta, me aguarde!
  • O ceifador (Neal Shusterman): Essa distopia é ótima! Eu já estava ficando enjoada do gênero, porque, para mim, as histórias começaram a parecer sempre mais do mesmo. Mas Neal Shusterman conseguiu renovar minhas esperanças. A história de 2 jovens aprendizes de uma das profissões mais sinistras que já vi é excelente e tem tudo que uma distopia precisa: tem disputas, tem vilão, tem mentor sábio, tem personagem feminina badass, enfim, altamente recomendada! Vem ver aqui 5 motivos para gostar de O ceifador
  • Histórias de ninar para garotas rebeldes (Elena Favilli e Francesca Cavallo):
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    Júlia com seu exemplar do livro

    Este livro reúne 100 fábulas sobre mulheres extraordinárias do passado e do presente e é lindamente ilustrado por outras 60 mulheres. A maioria das histórias começa com o famoso “Era uma vez…”, mas ao invés de princesas, elas nos contam sobre heroínas, sobre rainhas, artistas, atletas, educadoras, cientistas, ativistas, enfim, mulheres rebeldes e extraordinárias. Confira aqui uma lista com 5 motivos para gostar desse livro!

  • O labirinto dos ossos (Rick Riordan): Este é um livro infanto-juvenil sobre o qual ouvi falar muito bem. Eu nunca havia lido nada do Rick Riordan e confesso que ele escreve muito bem para o seu público-alvo. O livro narra a aventura de 2 irmãos em busca de pistas que os levarão a uma fortuna. Se eu tivesse lido esse livro quando tinha uns 13 anos, com certeza seria um dos meus favoritos da vida. Porém, resolvi lê-lo com 30 e é isso! É um livro para crianças e adolescentes. Se você gosta de infanto-juvenis, se jogue!
  • Para educar crianças feministas (Chimamanda Ngozi Adichie): Li esse livro-manifesto em algumas horas. Ele é o melhor exemplo de livro pequeno que nos arrebata. E eu adoro isso!Cada pequeno ensinamento deste livro nos faz pensar e remexer em alguns conceitos tão arraigados que carregamos, que quando terminamos a leitura ficamos de extasiados com a potência de cada lição, de cada conselho e cada frase desse livro. Recomendo fortemente que todos leiam, homens ou mulheres, com ou sem filhos, adultos ou crianças.
  • Corpo (Carlos Drummond de Andrade): Eu li esse livro esperando que fosse ser rápido e fácil, afinal, é um livro de poemas. Mas eu me esqueci que Drummond, por mais simples que sejam seus versos, nunca é simples. Este livro me fez lembrar muito O amor natural, outro livro de poemas do mesmo autor, sobre o qual fiz meu trabalho de conclusão de curso na Faculdade de Letras. Muitas memórias difíceis e ao mesmo tempo gratificantes eu tenho dessa época e posso dizer que poesia, poesia do Drummont é isso: muito mais do que o que está escrito, é sobre o que aquilo te faz sentir. Interessante, Drummond.
  • Assassinato no avião da meia-noite (Gaby Waters e Grahan Round): Esse livro chegou até às minhas mãos pela minha filha Clara. A Laís também já conhecia a história. Parece que as duas foram apresentadas a este livro pelas professoras que fez uma leitura conjunta com os alunos em sala de aula. Eu achei isso o máximo! O livro é muito interativo e o enredo é desenhado especificamente para a faixa etária delas (10-11 anos). Eu gosto de sempre acompanhar o que elas andam lendo e reafirmo que as professoras têm feito um ótimo trabalho com o incentivo a leituras desse tipo.
  • O sorriso da hiena (Gustavo Ávila): Só li 3 livros no mês de agosto, mas confesso que a história de Ávila é tão completa e instigante que outros enredos não me fizeram falta. Se você tem interesse em saber mais sobre este livro que está sendo muito falado, confira minha resenha aqui!
  • Fiquei com seu número (Sophie Kinsella): Gente, esse livro é muito engraçado! Sério! É um chick-lit e, como tal, você já sabe o que vai acontecer logo nas primeiras páginas. Mas isso não é nem perto de suficiente para te fazer desistir da leitura, pois é um texto que te faz rir e diverte. A personagem principal Poppy é muito atrapalhada e se mete em várias situações embaraçosas, mas ela conquista nossa empatia logo de cara e o mocinho Sam é um cara muito íntegro e isso é sempre bacana. Livro perfeito para curar ressacas literárias!

Pequenas conquistas

Foram dezenas de alunos competindo! A maioria deles mais velhos e mesmo assim ela conseguiu.

Cada professor fez uma prova eliminatória em sala de aula e todos os alunos do 5º ao 8º ano (de 10 até 13 anos de idade) foram submetidos a uma avaliação matemática com exercícios de adição, subtração, multiplicação e divisão. O objetivo era selecionar um aluno que fosse o mais rápido e eficaz na resolução das operações para a competição Matemática Vanguarda.

Clara e a mamãe - Matemática Vanguarda

Clara e eu brincando de selfie com a varinha de Harry Potter que ela fez para mim

Ela só tem 10 anos e estava fazendo o teste pela primeira vez. Na primeira prova, acertou 85% dos exercícios e foi classificada para um segundo teste. Neste, acertou 95% das questões e teve o melhor desempenho da sua turma. Os 2 melhores alunos de cada sala iriam fazer um terceiro teste no qual todos competiriam de igual para igual.

Mais de 20 candidatos foram selecionados e fizeram a última prova. Ela ficou em 2º lugar. Na frente de diversos alunos mais velhos e com anos a mais de estudos do que ela. Ela achou o resultado “normal”. A mãe dela surtou de alegria!

É muito fácil valorizarmos as conquistas das crianças quando são pequenininhas: a primeira palavra, os primeiros passinhos, a primeira noite inteira dormida. Porém, conforme eles vão crescendo, as pequenas vitórias do dia a dia vão ficando menos frequentes. Mas isso não significa que são menos importantes.

Aliás, é o contrário. Justamente por haver menos momentos marcantes em nossa vida conforme vamos crescendo é que cada conquista deve ser comemorada, e exaltada, e elogiada, e fotografada! Assim como fazemos com os bebês!

Clara - Matemática Vanguarda

Clara, 10 anos, fazendo pose de intelectual

Então, esta, Clara, é a minha pequena homenagem à minha pequena notável! Parabéns pelo desempenho no teste! Você não ganhou uma faixa comemorativa com seu nome e foto da escola, mas te dou divulgação pública aqui, pela conquista, pelo esforço, pela naturalidade de achar que não foi nada de mais. Que todas as crianças possam ter suas conquistas celebradas pela família, seja com alguns meses de vida, seja depois dos 18 anos…

Livros lidos em Maio e Junho/2017

Estas foram as minhas leituras em MAIO de 2017:

  1. Turma da Mônica: Força (Bianca Pinheiro): Mais uma graphic novel da MSP que li esse ano. Nessa história, Mônica precisa enfrentar um problema que não pode ser resolvido com força física e descobre que seus pais podem ser muito fortes também. Embora o tema seja um dos mais bacanas, essa foi a graphic que eu menos gostei das três que li dessa coleção, porque ela não explora muito a turminha em si, e sim só a Mônica e sua família. Entretanto, é ainda um trabalho incrível e que encanta em cada página e quadrinho. Recomendo a leitura para os pequenos e para os já crescidinhos;
  2. O canto mais escuro da floresta (Holly Black): Este foi o primeiro livro que recebi na malinha do Turista Literário e confesso que a experiência foi ótima. Para quem não conhece, o Turista literário é uma caixa surpresa de livros por assinatura com itens criados a fim de promover uma experiência sensorial que leva o leitor a uma viagem pelo universo literário onde o livro é ambientado. Infelizmente assinei por apenas 4 meses, mas pretendo voltar a ser assinante em breve. Neste livro, eu conheci a história de Hazel e Bem, 2 irmãos que vivem na vida adulta todo sonho e fantasia que tinham quando crianças. Eles vivem na cidade de Fayrfold que é habitada por humanos e fadas, numa relação simbiótica e estável. Será?
  3. Isso me traz alegria (Marie Kondo): Este livro que mostra como aplicar o Método Konmari de organização é maravilhoso! Depois de A mágica da arrumação, a autora disponibiliza neste livro para seus leitores um roteiro de como organizar a casa (e a vida). De um jeito simples e prático, ela vai mapeando os ambiente e elementos do cotidiano e mostrando como organizar cada um. Adorei!
  4. Animais fantásticos e onde habitam – O roteiro original (J. K. Rowling): O melhor livro do mês, sem dúvidas! Este livro contém o roteiro do filme, estrelado por Eddie Redmayne e que ganhou um Oscar de melhor figurino, além de ter concorrido e ganhados diversos outros prêmios. Ele complementa, de maneira delicada, cada cena do filme. Para os potterheads de plantão, é leitura obrigatória!
  5. Hibisco roxo (Chimamanda Ngozi Adichie): O Piquenique literário escolheu esta obra para representar a literatura africana no mês de maio. Eu tinha acabado de ler Sejamos todos feministas da Chimamanda e confesso que ela já tinha meu coração, mas esse livro foi uma experiência diferente do anterior. Em forma de romance, a autora nos conta a história de Kambili que vive com os pais e o irmão Jaja na Nigéria. O pai dela é extremamente religioso e rejeita a cultura igbo de sua comunidade de modo tão irracional que acaba afetando a todos da família. O livro é narra uma história densa e é um retrato dos resquícios invasivos da colonização inglesa no país e na população. Como sempre, os livros do Piquenique Literário são daquele tipo que nos tiram da zona de conforto, que incomodam e fazem pensar. Se você é de São José dos Campos e região e gosta de livros assim, junte-se a nós aqui!

E estes foram os livros lidos por mim em JUNHO:

  1. Animais fantásticos e onde habitam (J. K. Rowling): Este livro lindinho foi escrito como se fosse o livro que Harry Potter utilizou em suas aulas em Hogwarts e emprestou a Rony Weasley. Ao longo das páginas podemos ver anotações de Rony com suas observações engraçadas sobre os animais. Só pelos recados dele já vale a leitura!
  2. As 15 primeiras vidas de Harry August (Claire North): E se depois de morrer, você voltasse a viver a sua vida? O mesmo nascimento, a mesma família, a mesma época e local. Tudo igual, exceto que essa não é a sua primeira experiência na terra. Harry August está perto da sua décima primeira morte quando recebe um recado dizendo que o mundo está acabando, como sempre, mas o fim está chegando cada vez mais rápido. Sobre viagem no tempo, sobre solidão, sobre memória, sobre a vida, o universo e tudo mais, este livro tem doses certa de emoção e filosofia e com certeza eu recomendo!
  3. Preacher – Volume 2 (Garth Ennis): Este segundo volume consegue ser ainda melhor do que o primeiro! Com humor cada vez mais ácido, Ennis compõem uma história capaz de causar azia até no leitor mais desembaraçado. Eu simplesmente adorei esse quadrinho e, como não tenho o volume 4 ainda em casa, estou adiando a leitura do volume 3 porque não quero que a história acabe pra mim
  4. Para poder viver (Yeonmi Park): Outro livro do Piquenique Literário, outro livro incrível. Em junho o tema da leitura foi biografia e lemos a narrativa de Yeonmi Park em sua fuga da Coréia do Norte, passando pela China, até chegar à Coréia do Sul. Com um tom emotivo em todo o livro, Park cativa pela simplicidade com a qual ela narra as situações abomináveis pelos quais ela (com sua mãe, em alguns momentos) passou em busca da liberdade. Se você ficou um pouquinho interessado pela história dela, sugiro ver o vídeo com o discurso que ela fez na Conferência One Young World.
  5. Um beijo inesquecível (Julia Quinn): Para terminar o mês com uma leitura leve, eu li o sétimo volume da série Os Brisgertons. Nele conhecemos a história da caçula da família, Hyacinth, e o neto de Lady Danbury, Gareth St. Clair. O livro segue a mesma fórmula dos anteriores e vemos o casal se apaixonando e vivendo felizes para sempre. Um alento para leitoras que gostam de romances bem água com açúcar de vez em quando (quem nunca?)

Para educar crianças feministas

Aqui estão os pontos principais do livro “Para educar crianças feministas”, da autora Chimamanda Ngozi Adichie. Ela escreveu esse texto, em formato de carta, para uma amiga cuja filha havia acabado de nascer. São conselhos e dicas de como educar crianças (meninos e meninas) feministas nos dias de hoje:

  1. Seja uma pessoa completa. Antes de ser mãe, você é mulher. Não se limite pela maternidade, tenha hobbys, cuide de você mesma. Só estando bem consigo mesma, você conseguirá estar plena para seu filho;
  2. Inclua o pai na criação do filho. Ele deve fazer tudo o que a biologia permite – ou seja, tudo, menos amamentar;
  3. Nunca diga à criança para fazer ou deixar de fazer alguma coisa “porque você é menina” ou “porque isso não é coisa de homem”. Esses argumentos nunca serão razão para nada. Jamais;
  4. Ensine-a que não existe Feminismo Leve: ou você acredita na plena igualdade entre homens e mulheres, ou não;
  5. Ensine-a a ler. Ensine o gosto pelos livros. A melhor maneira é pelo exemplo;
  6. Ensine-a a questionar a linguagem, pois é nela que está depositada os nossos preconceitos, crenças infundadas e pressupostos sem embasamento;
  7. Nunca fale de casamento como uma realização. Encontre formas de deixar claro que o matrimônio não é uma realização nem algo a que ela deva aspirar. Um casamento pode ser feliz ou infeliz, mas não é uma realização;
  8. Ensine-a a não se preocupar em agradar aos outros. Em vez disso, ensine-a a ser honesta, bondosa e corajosa. Incentive-a a expor suas opiniões, dizer o que sente, a falar com sinceridade. E lembre-se de elogiá-la quando ela agir assim, principalmente quando ela tomar uma posição que é difícil ou impopular, mas que é a posição sincera dela;
  9. Dê a ela um senso de identidade. Faça com que ela, ao crescer, se orgulhe de ser, entre outras coisas, uma mulher brasileira. Ensine-a a abraçar as partes bonitas da cultura e ensine-a a rejeitar as que não são;
  10. Esteja atenta às atividades relacionadas à aparência dela e não deixe que ela se limite a elas;
  11. Ensine-a a questionar o uso seletivo da biologia como “razão” para normas sociais em nossa cultura;
  12. Converse com ela sobre sexo desde cedo. Provavelmente será um pouco constrangedor, mas é necessário;
  13. Dê apoio aos romances. Eles inevitavelmente irão acontecer;
  14. Ao lhe ensinar sobre opressão, tenha o cuidado de não converter os oprimidos em santos;
  15. Ensine-a sobre a diferença, tornando-a algo comum. E isso não para ser justa ou boazinha, mas simplesmente para ser humana e prática.

O sorriso da hiena

O sorriso da hiena, escrito pelo brasileiro Gustavo Ávila, é um suspense policial feito para prender a atenção do começo ao fim! O livro foi lançado pela Editora Verus, em 2017 e tem feito muito sucesso!

Sinopse:

“É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?
Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitado psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana.
Porém a proposta, feita pelo misterioso David, coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é um homem cruel por ter testemunhado o brutal assassinato de seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a sua, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma no crescimento delas.
Mas até onde William será capaz de ir para atingir seus objetivos?
Em O sorriso da hiena, Gustavo Ávila cria uma trama complexa de suspense e jogos psicológicos, em uma história que vai manter o leitor fisgado até a última página enquanto acompanha o detetive Artur Veiga nas investigações para desvendar essa série de crimes que está aterrorizando a cidade.”

 

O livro é narrado em terceira pessoa e nos apresenta, na maioria das vezes, o ponto de vista de um dos três personagens principais: o assassino David, o psicólogo William e o detetive Artur. A história se passa no Brasil, em uma cidade que não é possível identificar, nos dias atuais e a linguagem é clara e simples, instigante, bem estruturada, com trechos descritivos e diálogos na medida certa.

O personagem com o qual eu mais me identifiquei foi o detetive Artur que possui Síndrome de Asperger e é o melhor detetive da polícia. Ele alterna momentos de brilhantismo dedutivo e outros em que é um chato de galocha, não do jeito engraçadinho, mas do jeito que causa antipatia no leitor. Além disso, a ausência de uma personagem feminina forte é um tópico que incomoda, mas eu entendo que esse não era o foco do livro.

A história está muito bem amarrada e o autor criou uma trama que surpreende pela criatividade e originalidade, regada a boas doses de violência e filosofia. Embora seja um triller, a grande sacada do enredo não é descobrir o mistério ou quem é o criminoso, porque isso o leitor já conhece desde o início, mas sim acompanhar a postura de cada um dos personagens diante dos novos eventos da história e ver como eles lidam com o suspense. Alguns acontecimentos realmente deixam o leitor de queixo caído, porém, em uns poucos momentos, o autor não deixa o leitor descobrir o que irá acontecer, entregando as informações de bandeja, o que é um contrassenso dentro do gênero literário no qual o livro se insere.

Ainda, alguns trechos da história pareceram inverossímeis para mim, causados, por exemplo, pelo fato do autor optar por não usar nenhum sobrenome ao longo do livro. Vejam este diálogo no qual o detetive Artur busca informações com a atendente de um hospital:

— Preciso de algumas informações sobre um homem que faleceu aqui.
— Qual o nome?
— Ícaro.
— Deixa eu ver… — a mulher digitava rápido. — Esfaqueado.
— Essa informação eu sei. O médico que o atendeu ainda está trabalhando aqui?
— Deixa eu ver… ele já faleceu também.

Só com um nome, a recepcionista conseguiu dar todas as informações que o detetive precisava. Não parece estranho esse diálogo? Ela não precisou de sobrenome, data, nada. Sem contar a agilidade de pesquisa dela. Impressionante!

Outra cena que me chamou a atenção e acredito que chamará também de qualquer um que tenha lido ou assistido A culpa é das estrelas foi essa:

Artur colocou um cigarro na boca e, poucos segundos depois, um segurança o chamou com um toque no ombro.
— Não é permitido fumar aqui, senhor.
— Eu não fumo — o detetive disse com o cigarro nos lábios.
— Estou falando sério, senhor.
— Eu também.
— Senhor…
— Eu não vou acender.
— Mesmo assim, senhor.
Artur tirou o cigarro e entregou ao segurança.
— Não quer ficar com ele para fumar depois?
— Eu já disse: eu não fumo.

A mesma cena no livro de John Green:

Um minuto depois, ele enfiou a mão no bolso e abriu a tampa do maço de cigarros. Passados uns nove segundos, uma comissária de bordo loira correu até a nossa fila e disse:
— Senhor, não é permitido fumar neste avião. Nem em qualquer avião.
— Eu não fumo — ele explicou, o cigarro dançando na boca enquanto falava.
— Mas…
— É uma metáfora — expliquei. — Ele coloca a coisa que mata entre os dentes, mas não dá a ela o poder de completar o serviço.
A comissária ficou desconcertada só por um segundo.
— Bem, essa metáfora não será permitida no voo de hoje — ela disse.
O Gus assentiu com a cabeça e devolveu o cigarro ao maço.

Entretanto esses detalhes não ofuscam o fato de ser uma edição muito bem feita, sem erros de revisão ou inconsistências, além da narrativa que nos proporciona momentos de entretenimento alternados com períodos de reflexão e questionamentos.

Gustavo Ávila nasceu em São José dos Campos, interior de São Paulo, sendo assim meu conterrâneo. Ele escreveu e publicou “O sorriso da hiena” de modo independente, até que, em 2016, teve os direitos de adaptação comprados pela Rede Globo e os de publicação adquiridos pela Editora Verus. Consegui identificar no personagem William, alguns traços da história do autor. Seria o psicólogo um alter-ego de Avila?

Esse livro é ótimo para quem gosta de romances policiais, com violência, suspense e um leve toque de humor (Artur, você é demais!). Eu não recomendaria para menores de 18 anos porque as cenas de violência são fortes e algumas envolvem crianças. Mas, se você já é grandinho e gosta de um suspense, esse livro é a escolha certa para você!

Por que eu amo livros curtos?

É verdade, eu confesso: alguns dos  livros que eu mais gosto possuem menos de 200 páginas, alguns nem 100. São livros como Para educar crianças feministas, O guia do mochileiro das galáxias e O amor natural.

Algumas pessoas podem pensar que eu prefiro livros curtos por ser um pouco preguiçosa, mas não é isso. Admito que quando eu vejo um livro grande, fico desanimada, mas não é porque eu tenho medo e não quero lê-lo, e sim porque eu fico realmente receosa de que a história vá se arrastar.

Eu acho que, se você é um autor e tem uma ideia, apenas diga a sua ideia! É assim que eu me sinto sobre livros grandes: eu os vejo e penso “Essa história será realmente incrível por todas as 600 páginas?” E eu acabo sendo cética quanto à resposta. Com livros pequenos isso não acontece.

Eu imagino que um livro vá contar a você uma ideia poderosa, que o autor tem algo, uma joia preciosa, que ele quer compartilhar com o mundo. E o que eu amo é quando ele divide essa ideia comigo de modo simples, rápido, eficaz e poderoso; quando ele me entrega o livro como um soco no estômago e eu termino a leitura pensando “Uau! Isso foi tão incrível, tão genial e tão pequeno e bem finalizado”.

O que eu não gosto é quando o livro vai indo e indo, e o enredo vai sendo esticado de modos bizarros apenas para o livro continuar, ou quando a ideia precisa ser reiterada diversas vezes. Isso acontece não só com livros grandes, como também com algumas trilogias.

No ensaio “Políticas e a língua inglesa”, de George Orwell, o autor lista 6 regras para escrever. Ele acha que se você seguir essas 6 regras, você escreverá bem e ele realmente  encapsula o que estou tentando dizer. Algumas regras dele são:

  • “Nunca use uma palavra grande quando uma pequena resolve.” É isso. Não fantasie, apenas diga o que você está tentando dizer e pronto;
  • “Se for possível cortar uma palavra, corte-a sempre.” Dessa regra eu gosto muito, porque eu não gosto de linguagem floreada e muito rebuscada. Isso não quer dizer que eu não goste de linguagem poética ou palavras bonitas, eu só não gosto de prolixidade;
  • “Nunca use uma expressão estrangeira, um termo técnico ou um jargão se puder pensar num equivalente da língua cotidiana.” De novo, é sobre simplicidade. Não complique, não tente impressionar seu leitor. Ele já está impressionado o bastante porque você escreveu um livro! Impressione-o com ideias e não levando eras para dizê-las;

Eu acrescentaria uma sétima regra: Evite parágrafos longos, pois embolam o raciocínio e confundem os leitores, fazendo com que nos percamos.

Essas regras podem ser importantes para Orwell e para mim, mas não são um manual de instruções para todo mundo. Eu não quero que todos os livros sejam pequenos, até porque vários livros que eu gosto muito são enormes. Alguns exemplos são: Os homens que não amavam as mulheres (522 páginas), Outlander: A viajante do tempo (800 páginas) e Harry Potter e o Enigma do Príncipe (512 páginas).

Livros pequenos não são o formato certo para todas as histórias. Algumas precisam ser grandes e alguns autores amam escrever livros grandes. Eu não estou dizendo que eles não deveriam, é óbvio. O que eu estou dizendo é que eu gosto de livros curtos. Eu simplesmente os amo! E eles me fazem realmente feliz!

Livros lidos em Abril/2017

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Esses foram os 5 livros que li no mês de Abril/2017:

O curioso caso de BenjaP_20170503_154544_vHDR_Automim Button (F. Scott Fitzgerald): Esse livro traz 2 contos nessa edição pequenininha da L&PMProcket, o que torna a leitura super leve e tranquila. A linguagem do autor, diferente do que eu imaginava, é bem acessível e o segundo conto do livro, Bernice corta o cabelo, tem um enredo incrível e que, por si só, já vale a leitura. É um daqueles livros para ler em um dia e curar ressacas literárias.

Os 13 porquês (Jay Asher): Outro livro com linguagem muito fácil de ler, como quase todos já sabem, ele conta a história de Hanna e dos motivos que a levaram ao suicídio. Eu ainda não terminei de assistir à série na Netflix, mas a princípio estou gostando do fato dela explorar mais a história por trás dos outros personagens, embora a enrolação do Jay para ouvir as fitas esteja me dando nos nervor (no livro, ele escuta todas em uma noite).

A viajante do tempo – Série Outlander (Diana Gabaldon): Melhor livro do mês. Na verdade, dos meses, já que levei 2 meses para terminar de ler esse. Ele conta a história da Claire, uma enfermeira da 2ª Guerra Mundial, e seu marido Frank, em uma segunda lua-de-mel pela Escócia. Depois de testemunhar um ritual misterioso que acontece num círculo de pedras, ela é transportada 200 anos no passado e enfrenta diversos perigos e conhece pessoas fantásticas, incluindo Jaime, um guerreiro escocês, com o qual ela terá um relacionamento bem complicado.

P_20170503_154554_vHDR_AutoA guerra que salvou a minha vida (Kimberly Bradley): Esse livro é lindo. Ele conta a história da Ada e seu irmão Jaime. Ela tem 10 anos e nasceu com o pé torto. Por causa da iminência de bombardeios em Londres, eles vão para o interior, morar com a Srta. Smith, e lá Ada vai aprender que uma guerra também pode salvar alguém.

P_20170503_154605_vHDR_AutoTurma da Mônica: Laços (Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi): Esse foi a segunda Graphic Novel da Turma da Mônica que li e gostei dela um pouco menos do que a outra (Turma da Mônica: Lições). As ilustrações são maravilhosas, como o outro, mas achei o enredo um pouco menos profundo. Confesso que a Laís adorou e leu em 1 dia!

Livros que pretendo ler em Maio:

  • Isso me traz alegria (Marie Kondo)
  • O canto mais escuro da floresta (Holly Black)
  • O clube de leitura de Jane Auten (Karen Fowler)
  • Hibisco roxo (Chimamanda Adichie)

Laís de cordel


Vou contar uma história

Da menina Laís

Ela é barrigudinha

E mesmo assim é feliz

Come muito chocolate

E sempre pede bis

Ela é muito criativa

E adora fazer arte

Cola, papel e tesoura

Tudo da sua vida faz parte

Mesmo quando está triste

Um carinho ela reparte

Suas bochechas são gorduchas

E sua pele é bem branquinha

Ela gosta de ouvir música

E desenhar muitas roupinhas

Come muita melancia,

Mas cospe fora as sementinhas

Ela é muito vaidosa

Na cabeça usa sempre tiara

Mas do que ela gosta mesmo

É de implicar com a irmã Clara

Está sempre muito cheirosa

Sair sem batom é coisa rara

Às vezes, é preguiçosa

Com a voz muito sedutora

Diz que quando crescer

De artes vai ser professora

Com a cabeça sempre nas nuvens

Nunca deixa de ser sonhadora

Da água ela gosta,

Piscina, chuveiro ou mar

Chuva ou bolhas de sabão

Tudo serve pra brincar

Só não brinca na hora de sentir

Vive aprendendo a amar

Clara cordelista


​Vou te contar uma história

De uma menina barriguda

Ela tem 2 irmãs

E nenhuma é nariguda

Muito embora, às vezes,

Elas sejam liguarudas

O nome dela é Clara

E ela adora perguntar

Por que a nuvem chora?

Onde acaba o mar?

Quantos anos tem o papa?

O que significa amar?

Seus cabelos são escuros

E seus olhos curiosos

Ela ronca quando dorme

E seus sonhos são medrosos

Mas assim que ela acorda

Ganha focos corajosos

Ela tem muitas amigas

E adora os animais

Não dispensa a Netflix

E vê vídeos no YouTube bem legais

Quer ser médica quando grande

Pra ajudar o mundo cada vez mais

Está sempre ansiosa

Pra saber sobre o futuro

Ela tem pressa de viver

Quer atravessar todos os muros

Nunca deixa de lutar

Mesmo tendo medo do escuro

Muitos doces ela come

Mas também vive agitada

Vai sempre bem na escola

Nunca erra a tabuada

Apesar de tagarela

Ela é muito amada